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Estado de Minas

Nikki Haley surpreende ao renunciar como embaixadora dos EUA na ONU


postado em 09/10/2018 22:12

A embaixadora dos Estados Unidos nas Nações Unidas, Nikki Haley, a mulher mais proeminente do governo de Donald Trump, surpreendeu a todos ao anunciar a sua renúncia nesta terça-feira (9), gerando especulações sobre o seu futuro e quem irá sucedê-la.

A notícia foi comunicada do Salão Oval, sem explicar os motivos nem revelar quem ocupará o seu lugar quando sair no final do ano, uma indicação que, segundo o presidente, poderá ser conhecido "nas próximas duas ou três semanas".

"Me disse há seis meses (...) que queria um tempo para descansar", acrescentou o presidente sobre Haley, que está em seu governo desde o início. "Fez um trabalho fantástico", sem descartar seu retorno "em algum momento".

No estado de Iowa, onde participou de uma reunião pública, Trump disse à imprensa que tinha pré-selecionado a cinco pessoas para substituir Haley, e confirmou que Dina Powell, ex-presidente do Conselho de Segurança Nacional, fazia parte delas.

O embaixador na Alemanha Richard Grenell não está na disputa. "Teve tanto êxito em um cargo tão importante (...) que não gostaria de trocá-lo. Pessoalmente, preferiria deixar Ric onde está", observou.

Mais cedo, o presidente tinha evocado a hipótese de uma indicação de sua filha, Ivanka - "seria uma dinamite" no cargo, disse - , mas em seguida se corrigiu: "seria acusado de nepotismo", afirmou. A própria Ivanka excluiu a possibilidade em mensagem de Twitter.

- "Não me candidatarei" -

Alguns observadores afirmaram que Haley tem a intenção de cortar qualquer laço com Trump para disputar um cargo político, apresentando-se como uma republicana moderada em um cenário muito polarizado. Mas ela imediatamente negou ter aspirações presidenciais.

"Não, não me candidatarei para 2020", assegurou, anunciando que será leal a Trump.

Aos 46 anos, esta filha de imigrantes indianos tem sido considerada uma estrela em ascensão no Partido Republicano, marcado por uma tradicional liderança de homens brancos e ávido por contar com minorias femininas e étnicas para ampliar a sua base.

"É muito importante que os funcionários entendam quando é o momento de se retirar (...) às vezes é bom mudar", assinalou a que foi a primeira governadora da Carolina do Sul (2011-2017).

Nascida como Nimrata "Nikki" Randhawa, Haley é seu sobrenome de casada, chegou à ONU como novata nas relações internacionais, mas rapidamente se colocou na linha de frente do cenário diplomático americano, onde sobressaiu por seus talentos políticos e por sua elegância. "Se veste para o cargo", costumavam dizer sobre a sua aparência impecável.

Mas desde março, quando Rex Tillerson foi substituído no Departamento de Estado por Mike Pompeo, muito próximo a Trump, ela parecia mais retraída.

Em declarações a jornalistas nesta terça, Pompeo afirmou que Haley foi "uma grande colega", embora tenha se negado a responder a perguntas sobre o assunto.

A saída de Haley, aparentemente amigável em uma Casa Branca turbulenta, onde em menos de dois anos entraram e saíram dezenas de funcionários, parece ter uma explicação mais prosaica que as intrigas palacianas: a necessidade de um trabalho no setor privado para dar conta das dívidas que apareceram em sua última declaração de renda, inclusive uma hipoteca de mais de um milhão de dólares.

Na véspera de sua renúncia, a ONG Cidadãos pela Responsabilidade e a Ética em Washington, pediu para investigar Haley pelo uso de luxuosos aviões privados e a aceitação de caros ingressos para jogos de basquete como presente.

- Críticas a Venezuela e Nicarágua -

Na ONU, Haley se distinguiu por pressionar por uma linha dura contra Coreia do Norte, Irã, Venezuela e Nicarágua.

Na última Assembleia Geral da ONU, mostrou uma conduta extremamente incomum para um alto diplomata, ao se dirigir com um megafone a opositores venezuelanos durante uma manifestação.

Haley também atacou o governo de Daniel Ortega, na Nicarágua, o qual acusa de seguir o "caminho" de Síria e Venezuela.

Conseguiu por duas vezes que a crise da Venezuela fosse discutida no Conselho de Segurança, que só debate casos que sejam uma ameaça à segurança e à paz no mundo; e em setembro aproveitou que os Estados Unidos presidiam o Conselho para convocar uma sessão sobre a Nicarágua.

De Nova York também fez eco dos severos questionamentos de Trump à ONU. Justificou os cortes da ajuda internacional americana e, no início deste ano, sob a sua liderança, os Estados Unidos deixaram o Conselho de Direitos Humanos da ONU, o qual acusou de ser parcial com relação a Estados Unidos e Israel.

Embora o secretário geral da ONU, António Guterres, tenha destacado seu "profundo apreço" por Haley, Stephen Pomper, da organização International Crisis Group, a criticou por fragilizar o papel de seu país no contexto internacional, considerando-a uma "força divisória".

Ambiciosa, decidida e direta, Haley já não incluía nesta terça-feira o título de embaixadora dos Estados Unidos na ONU em sua conta no Twitter, na qual tem 1,66 milhão de seguidores e onde costuma compartilhar fotos e situações de sua vida familiar.

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