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Estado de Minas

Bolsonaro e Haddad iniciam tensa campanha do segundo turno


postado em 08/10/2018 20:00

O candidato de extrema direita à Presidência Jair Bolsonaro (PSL) retomou nesta segunda-feira (8) a sua campanha nas redes sociais após ficar em uma ótima posição para vencer no 2º turno, em 28 de outubro, o esquerdista Fernando Haddad, um resultado fortemente celebrado pelos mercados.

"Reduzir o número de ministérios, extinguir e privatizar estatais, combater fraudes no Bolsa Família para que quem precise possa ter este amparo humanitário ampliado, descentralização do poder dando mais força econômica aos estados e municípios. A política a serviço do Brasileiro!" - proclamou no Twitter o candidato do Partido Social Liberal (PSL), retomando sua campanha ativa após obter 46,03% dos votos no domingo.

Haddad, por sua vez, designado candidato do PT pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (2003-2011), viajou a Curitiba para visitar o líder histórico da esquerda na prisão onde cumpre pena de 12 anos e um mês por corrupção e lavagem de dinheiro.

Os dois dirigentes passaram três horas reunidos, na cela de 15 m2, desenhando a estratégia para um segundo turno complexo.

"Vou conversar com as forças democráticas do país, representadas por algumas candidaturas", como a de Ciro Gomes (PDT), e Guilherme Boulos (PSOL), assim como com governadores, disse Haddad à imprensa ao fim do encontro. "Temos interesse que as forças democráticas estejam unidades em torno deste projeto" do PT, acrescentou.

- Fortalecido -

A tarefa se anuncia titânica para Haddad, que conseguiu salvar o partido de esquerda de uma queda histórica.

Bolsonaro já havia obtido o apoio dos mercados e das influentes igrejas evangélicas. Seu até agora pequeno partido, PSL, se converteu no domingo na segunda bancada da Câmara dos Deputados.

O capitão da reserva, de 63 anos, terá que tentar, sobretudo, reduzir seus elevados índices de rejeição, de 45%, segundo o Datafolha, coletados ao longo de uma disputa cheia de declarações misóginas, homofóbicas e racistas, além de sua justificativa da tortura durante a ditadura militar (1964-1985).

Bolsonaro não fez campanha nas ruas desde que, em 6 de setembro, recebeu uma facada durante um ato eleitoral, que o deixou à beira da morte. Seu domínio nas redes sociais é, não obstante, incontestável.

"A eleição é de vocês: serem governados por alguém limpo ou por um poste mandado por um preso por corrupção", escreveu com relação a Haddad, com quem as pesquisas de sábado davam empate técnico em um segundo turno.

No domingo, Bolsonaro se queixou no Facebook de "problemas" com as urnas eletrônicas que, segundo afirmou, lhe impediram de vencer no primeiro turno.

A chefe da missão eleitoral da Organização dos Estados Americanos (OEA), Laura Chinchilla, admitiu nesta segunda que houve problemas com algumas urnas, mas que não alteraram os resultados.

"Não encontramos nenhum dado verificável que faça supor erros em tal escala que pudessem alterar o resultado eleitoral", declarou em entrevista coletiva em Brasília.

- Última oportunidade -

Haddad enfrenta dilemas de difícil solução para encurtar distâncias com Bolsonaro.

Sua identificação total com Lula lhe permitiu ganhar setores que se beneficiaram das políticas de inclusão social do ex-presidente.

Mas pode comprometer sua aproximação de grupos e partidos que consideram Lula como sinônimo de corrupção e de políticas estatizantes, que estes grupos consideram responsáveis por jogar o Brasil em uma recessão de dois anos.

Uma das chaves para reduzir a distância para Bolsonaro seria o apoio de Ciro Gomes, do Partido Democrático Trabalhista (PDT), que foi ministro da Integração Nacional de Lula e conseguiu 12,5% dos votos.

Gomes disse no domingo que discutirá com os líderes do PDT a posição para o segundo turno, mas antecipou um possível apoio: "Farei o que fiz toda minha vida, que é lutar pela democracia e contra o fascismo".

- Lua de mel com os mercados -

Os mercados celebraram com forte alta o que já consideram uma vitória de Bolsonaro. O índice Ibovespa da Bolsa de São Paulo ganhou 4,57%, depois de subir mais de 6% pela manhã.

O dólar era cotado a 3,766 reais, diante dos 3,858 reais no fechamento dos mercados na sexta-feira, com um fortalecimento de 2,44% da moeda brasileira.

"A Bolsa teve uma forte alta nesta segunda-feira, indicando que os mercados realmente veem Bolsonaro como o mais preparado para lidar com a difícil agenda econômica que o Brasil tem à frente", avaliou o analista de risco Thomaz Favaro à AFP.

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