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Estado de Minas

Americanos precursores do crescimento 'verde' vencem o Nobel de Economia


postado em 08/10/2018 17:54

O 50º prêmio Nobel de Economia foi atribuído nesta segunda-feira (8) aos americanos William Nordhaus e Paul Romer, por integrarem a mudança climática e a inovação tecnológica ao crescimento econômico, aliando assim clima, inovação e economia.

Os dois premiados "desenvolveram métodos que abordam alguns dos desafios mais fundamentais e prementes de nosso tempo: combinar o crescimento sustentável em longo prazo da economia global com o bem-estar da população do planeta", afirmou a Academia Real de Ciências.

Seus trabalhos são baseados nos do keynesiano Robert Solow, Nobel de Economia de 1987, que estudou o impacto do progresso técnico no crescimento.

Contactado por telefone pela Academia, William Nordhaus denunciou "as políticas desastrosas do governo (do presidente dos EUA, Donald) Trump", que decidiu se retirar do acordo climático de Paris em junho de 2017.

Paul Romer, de 62 anos, ex-economista-chefe do Banco Mundial, estabeleceu as bases do "crescimento endógeno" desde 1986, demonstrando como a inovação e o progresso técnico influenciam de forma importante o crescimento, um modelo adaptado, nas pesquisas de William Norhaus, à inovação verde e à ideia de desenvolvimento sustentável.

"Muitos acreditam que a proteção do meio ambiente é tão cara e difícil de realizar que preferem ignorar o problema, ou inclusive negar sua existência", declarou Romer à Academia.

"Podemos realmente fazer progressos substanciais para proteger o meio ambiente sem, com isso, deixar de garantir um crescimento duradouro", completou o professor na Stern School of Business da Universidade de Nova York (NYU), que admitiu não desejar receber a emblemática ligação.

"Você tem direito a sua opinião, mas não a seus próprios feitos", disse ele horas depois em uma entrevista coletiva em Nova York.

"Eu não queria, mas aceito", disse ele, respondendo ao representante do comitê do Nobel que telefonou no início da manhã.

Depois de passar pelas universidades de Rochester (Nova York), Chicago e Berkeley (Califórnia), Paul Romer ingressou na NYU em 2011 para trabalhar na questão da urbanização e do crescimento das cidades.

"Fiquei feliz quando perguntei se alguém recebeu o prêmio", e soube que era Nordhaus, "porque Bill é um colega e uma pessoa fantástica", confidenciou Romer.

- Aquecimento global -

Seu compatriota William Nordhaus, de 77 anos, professor na Universidade de Yale, se especializou na pesquisa das consequências econômicas do aquecimento global.

Ele foi o primeiro, nos anos 1990, a estabelecer o modelo sobre o vínculo entre atividade econômica e clima, introduzindo teses e experiências procedentes da Física, Química e Economia, segundo o júri.

Nordhaus "integrou a mudança climática na análise macroeconômica em longo prazo", destacou a Academia.

Estas pesquisas servem atualmente para prever ou quantificar as consequências das políticas climáticas, por exemplo a taxa de carbono.

A cerimônia de premiação coincide com a publicação de um relatório de 400 páginas dos especialistas em mudança climática da ONU (IPCC) descrevendo os efeitos catastróficos do aquecimento, incluindo a ameaça de aumentos desenfreados da temperatura além de 1,5ºC em comparação com os níveis pré-industriais: ondas de calor, extinção de espécies ou desestabilização das calotas polares, provocando o aumento em longo prazo no nível dos oceanos.

Para especialistas em clima, as emissões de CO2 serão drasticamente reduzidas até 2030 (-45% em comparação com hoje) e o mundo atingirá uma "neutralidade de carbono" até 2050 (ou deixará de liberar mais CO2 na atmosfera que não pode ser eliminado), para se manter a 1,5°C.

"As medidas que devemos tomar não teriam sido tão difíceis se tivéssemos começado mais cedo", disse Nordhaus, que defende uma taxa de carbono uniforme, cobrada a todos os países para reduzir as emissões de gases que provocam o efeito estufa na atmosfera.

Os países que não desejarem unir-se a este "clube do clima" seriam punidos por barreiras alfandegárias, por exemplo.

Assim, 10 anos após a falência do banco Lehman Brothers, "pessoas como Nordhaus e Romer mostram que há outros fatores de crescimento além do capital financeiro, como a inovação e o fato de levar em consideração a mudança climática", afirmou à AFP Ludovic Subran, diretor de pesquisa macroeconômica da Allianz.

Os dois economistas premiados já apareciam há muitos anos na lista de possíveis vencedores do Nobel.

O último prêmio criado pela Academia sueca celebra este ano o 50º aniversário. Criado em 1968 por ocasião do aniversário de 300 anos do Banco da Suécia, é o prêmio mais importante para um pesquisador na área de economia.

Este prêmio fecha a temporada de 2018 no Nobel, que não teve a categoria Literatura, adiada para o próximo ano pela Academia Sueca, afetada por um escândalo de agressões sexuais e fortes divisões internas.

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