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Estado de Minas

Mercados celebram 'clara vantagem' de Bolsonaro no primeiro turno


postado em 08/10/2018 17:12

Os mercados brasileiros comemoraram nesta segunda-feira (8) o resultado do primeiro turno das eleições presidenciais no Brasil, que deu ao candidato de extrema direita Jair Bolsonaro uma "clara vantagem".

O índice Ibovespa subiu 6% apenas 20 minutos após a abertura, reduzindo seu avanço para 3,625% às 16h.

O dólar caiu 2,28% e foi negociado a R$ 3,772, contra R$ 3,858 na sexta-feira.

Os gráficos mostraram picos excepcionais no maior mercado acionário da América Latina depois que Bolsonaro obteve 46% dos votos no primeiro turno, contra 29% de Fernando Haddad.

As ações de empresas passíveis de privatização total ou parcial em um potencial governo de Bolsonaro - cuja política econômica ficaria a cargo do liberal Paulo Guedes - subiam com força. A Eletrobras ON teve alta de quase 13%, enquanto a Petrobras PN elevava 8,47%, após ter subido mais de 13%.

As ações de bancos também subiam, como Itau PN (5,13%), Bradesco ON (5,41%) e Santander (7,39%).

- Por que o mercado financeiro comemora? -

A confiança do mercado baseia-se essencialmente na promessa de Bolsonaro de nomear o economista liberal Paulo Guedes à frente de um "super ministério", que uniria as pastas de Fazenda, Indústria e Comércio e Planejamento.

Embora a "fragmentação" do Congresso represente um desafio para as reformas fiscais, a vitória de Bolsonaro o deixou com uma "clara vantagem" e "aumentou as chances de reformas pró-mercado", resumiu a consultoria Capital Economics em um relatório.

O economista André Perfeito, da corretora Spinelli, disse que o apoio dos mercados a Bolsonaro se baseia na perspectiva de "uma série de políticas de cunho liberal", que incluem "venda de ativos e cortes mais robustos dos gastos públicos".

Se Bolsonaro for eleito, Guedes terá a difícil tarefa de afastar o Brasil da recessão e melhorar os dados de desemprego, inflação, déficit fiscal e dívida pública.

- Comércio e privatizações -

Guedes é um liberal, e Bolsonaro, protecionista. Assim, a discussão sobre a abertura comercial só deve ocorrer em um possível governo.

"O Brasil, um país tremendamente protecionista, deverá discutir sua abertura comercial. Ele poderia se beneficiar de um acordo com a China, seu principal parceiro comercial", disse Ignacio Munyo, professor da Universidade de Montevidéu e consultor de negócios na assessoria internacional Grant Thornton International.

"Em termos de privatização, a discussão deve ir para uma visão mais geral sobre a eficiência das empresas", acrescentou.

Este debate estará em foco, depois que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, acusou o Brasil na semana passada de tratar "injustamente" empresas americanas.

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