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Estado de Minas

Haddad e a missão impossível de substituir Lula


postado em 07/10/2018 22:12

Fernando Haddad fez campanha correndo contra o tempo. Teve menos de um mês para convencer o eleitorado de que era o representante do carismático ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e passou raspando para o segundo turno, no qual vai enfrentar o candidato da extrema direita, Jair Bolsonaro (PSL).

Mas se seu principal slogan - "Haddad é Lula" - permitiu-lhe se aproximar do eleitorado de renda mais baixa do Nordeste, principal colégio eleitoral do PT, este pode ser seu maior obstáculo no segundo turno, visto que o ex-presidente (2003-2010) também gera forte rejeição.

O ex-ministro da Educação (2005-2012) e ex-prefeito de São Paulo (2013-2016), de 55 anos, salvou por pouco o PT de uma derrota histórica, ao conseguir passar para o segundo turno com pouco menos de 30% dos votos. Um esforço que, para muitos, só vai prolongar uma agonia que, ao que tudo indica, será consumada no segundo turno, em 28 de outubro, se mantidos Jair Bolsonaro mantiver o favoritismo do primeiro turno.

Segundo colocado neste domingo (7) no primeiro turno das eleições presidenciais, Haddad prometeu um país "profundamente democrático" se vencer no segundo turno e agradeceu a liderança de seu padrinho político, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

"Queremos unir os democráticos deste país. Queremos um projeto amplo para esse país, que busque de forma incansável a justiça social", disse Haddad, de 55 anos, que tinha 28,9% dos votos válidos contra 46,3% de seu rival, o capitão reformado do Exército Jair Bolsonaro, do Partido Social Liberal (PSL, extrema direita), após apuradas 98,56% das urnas.

- "Comportamento tranquilo" -

Um ponto marcante da personalidade de Haddad é o autocontrole diante dos ataques de adversários, que alguns confundem com distanciamento.

"Sou filho do casamento de um comerciante libanês com uma normalista. Aprendi em casa a negociar e conversar, e tenho um temperamento em geral tranquilo, mesmo nas situações mais adversas. As pessoas confundem isso com frieza, mas não é", declarou em um artigo publicado em junho de 2017 na revista Piauí.

Também podem prejudicá-lo acusações como a da Procuradoria de São Paulo, que o denunciou em setembro por suposta corrupção em sua gestão na Prefeitura, o que ele nega categoricamente.

Formado em Direito, com mestrado em Economia e doutorado em Filosofia, casado com uma dentista e pai de dois filhos, Haddad chegou ao ministério da Educação em 2005 - uma das pastas das quais Lula se sente mais orgulhoso.

Sua trajetória lhe colocou na linha de frente do PT, mas ele nunca deixou a sombra de seu mentor.

"Haddad só falava quando perguntado", afirmou um ex-assessor de Lula à Gazeta do Povo em agosto.

- Carreira -

Não é a primeira vez que Haddad começa mal em uma eleição. Ele também não era o mais cotado quando se candidatou à prefeitura de São Paulo em 2012, e acabou ganhando.

Aqueles tempos, entretanto, eram outros. Os do início do governo de Dilma Rousseff (2011-2016), quando a influência de Lula no meio político era praticamente incontestável.

Quatro anos depois, em 2016, Haddad sofreu uma esmagadora derrota nas urnas logo no primeiro turno, e teve que passar a prefeitura de São Paulo para o empresário liberal João Dória.

Muito criticado após as manifestações de 2013, desencadeadas pelo aumento nos preços das passagens, sua derrota foi outro grave revés para o PT, pouco depois do impeachment de Dilma Rousseff pelo Congresso.

Ele sempre soube, contudo, que voltaria à linha de frente do partido.

"Eu não sou uma pessoa ansiosa, espero as coisas acontecerem para tomar decisões. Eu sou um ser político, no sentido de ser participativo na vida pública, desde os tempos da faculdade", afirmou em dezembro de 2016 ao jornal El País sobre uma possível candidatura nacional.

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