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Estado de Minas

Bolsonaro vence primeiro turno e enfrentará Haddad no segundo


postado em 07/10/2018 21:54

O candidato de extrema-direita Jair Bolsonaro ganhou com uma margem ampla o primeiro turno das eleições presidenciais do Brasil, mas disputará o segundo turno com Fernando Haddad, do Partido dos Trabalhadores (PT), em 28 de outubro.

Com 96% das urnas apuradas, Bolsonaro, ex-capitão do Exército, de 63 anos, tinha 46,66% dos votos contra 28,43% para Haddad, indicado como candidato do PT pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

- Alívio no PT -

Em um hotel no centro de São Paulo, onde Haddad dará sua coletiva de imprensa, houve gritos de alegria e alívio com a divulgação dos resultados.

Na esplanada dos ministérios de Brasília, os partidários de Bolsonaro reagiram com desilusão.

Enquanto isso, no bar do hotel Windsor, na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio de Janeiro, onde se espera que Bolsonaro se dirija aos eleitores, o clima mudou rapidamente do entusiasmo à preocupação.

As próximas três semanas vão pôr à prova a resistência do candidato, que quase morreu após sofrer um atentado a faca em 6 de setembro, durante comício eleitoral em Juiz de Fora (MG).

Também o coloca na obrigação de conquistar aliados, apesar do alto

em um ato eleitoral, e baseou sua campanha em suas drásticas propostas de combate à violência.

"Apoio Bolsonaro porque nosso país precisa de um choque de ordem e é o único homem capaz de fazer isso pelo Brasil", disse à AFP Lourdes Azevedo, de 77 anos, pedagoga aposentada.

O resultado "é um pouco decepcionante, a gente esperava ganhar no primeiro turno. Agora fica mais difícil, o segundo turno é um risco", avaliou.

Após votar em São Paulo nesta manhã, Haddad disse estar convencido de que haveria segundo turno e começou a criar pontes com outros candidatos.

A chave para que Haddad se aproxime da porcentagem de Bolsonaro está em Ciro Gomes (PDT), que foi ministro da Integração Nacional de Lula e obteve mais de 12,58% dos votos.

Haddad lembrou neste domingo que, quando foi ministro da Educação de Lula, trabalhou ao lado da ambientalista Marina Silva e de Henrique Meirelles (centro-direita), que presidiu durante essa época o Banco Central. Estes dois últimos candidatos tiveram cerca de 1% dos votos, que poderão ser importantes no cômputo final.

Em declarações à imprensa, Ciro disse que discutiria com os líderes do PDT a posição do partido no segundo turno, mas antecipou um possível apoio a Haddad, ao declarar que irá fazer o que fez toda a vida, lutar pela democracia e contra o fascismo, declarou.

Embora tenham sido os mais bem colocados no primeiro turno, Bolsonaro e Haddad são, ao mesmo tempo, os candidatos com maiores índices de rejeição.

Haddad, ex-prefeito de São Paulo pouco conhecido em outras regiões, tentou se identificar com Lula e, assim, pôde herdar metade do eleitorado de seu mentor, sobretudo entre a população pobre, que melhorou suas condições de vida sob seus mandatos (2003-2010).

Mas também herdou o ódio que Lula inspira entre aqueles que condenam pelos escândalos de corrupção, revelados pela Operação Lava Jato e pela crise econômica em que mergulhou o país sob o mandato de sua herdeira política, Dilma Rousseff, deposta em 2016 pelo Congresso.

- O centro e as alianças -

Durante a campanha, Haddad "se esqueceu muito do centro, que é fundamental. Sem o centro não se ganha uma eleição e menos ainda se governa, então precisa desse apoio já. São três semanas, uma campanha curtíssima, e mais ainda tem que pensar na governabilidade, estabelecendo compromissos com esses setores", disse André César, da consultora Hold em Brasília.

Na última semana, Bolsonaro recebeu apoio de setores poderosos, como os ruralistas e as igrejas evangélicas.

Mas precisa lidar com um histórico de declarações racistas, misóginas e homofóbicas e com suas justificativas da tortura durante a ditadura militar (1964-1985), que lhe renderam uma ampla rejeição entre as mulheres e as minorias.

Em seu último vídeo no Facebook, o candidato prometeu governar "inclusive" para ateus e gays.

"Vamos fazer um governo para todos, independentemente da religião, até para quem é ateu. Vamos fazer um governo para todo mundo, para os gays, inclusive, porque tem gay que é pai, que é mãe", publicou.

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