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Estado de Minas

Nacionalista Dodik ganha assento sérvio na presidência tripartite da Bósnia


postado em 07/10/2018 21:18

O nacionalista Milorad Dodik ganhou neste domingo (7) o assento sérvio na presidência tripartite da Bósnia, que compartilhará com um bósnio e um croata.

Após uma campanha concentrada nas diferenças comunitárias, Dodik presidirá um país dividido, que não considera um Estado, mas um projeto "falido".

Com 55,15% dos votos, ultrapassou seu adversário de centro, Mladen Ivanic (41,98%), anunciou a Comissão Eleitoral após a apuração de 43% das urnas.

Sefik Dzaferovic, o candidato do principal partido bósnio (muçulmano), o conservador SDA, levou 37,9% dos votos de sua comunidade, depois de uma campanha na qual também atiçou as diferenças de identidade.

Entre os croatas, no entanto, o candidato da direita nacionalista Dragan Covic (38,66%) perdeu para o social-democrata Zeljko Komsic (49,47%).

A presidência tripartite se encarrega da política estrangeira e da defesa do país, mas a maior parte do poder, especialmente a polícia, a educação ou a política econômica, está nas mãos das duas entidades que formam o Estado desde o final da guerra intercomunitária de 1992-1995: a República dos sérvios da Bósnia (Republika Srpska) e a Federação croata-muçulmana.

Ambas as regiões têm uma grande autonomia e estão regidas por um Estado central fraco, encarnado pela presidência tripartite.

Na Bósnia, mais da metade dos 3,5 milhões de habitantes são bósnios, um terço são sérvios (cristãos ortodoxos) e 15%, croatas (católicos).

- Negociações complicadas à vista -

Agora é provável que sejam necessários meses de negociações complexas para formar um governo central que deve incluir representantes dos três povos do país.

Um processo que poderia ser obstaculizado por várias forças políticas, entre elas a formação de direita nacionalista liderada por Dragan Covic, que reivindica uma entidade própria para os croatas e que, apesar de sua derrota nas presidenciais, poderia utilizar seus deputados para frear a formação de um governo.

Muitos dos eleitores que foram às urnas mostravam seu cansaço em relação à classe política bósnia.

"Essa gente está há muito tempo no poder. Alguns pensam que são deuses", disse Vesna Paul, funcionária de banco de Banja Luka (norte), capital dos sérvios bósnios.

Vinte e cinco anos depois do conflito que deixou 100.000 mortos, os principais candidatos adotaram um discurso nacionalista durante a campanha eleitoral.

Dodik afirmou inclusive em seu povoado de Laktasi (norte) que ia exercer seu cargo "apenas em benefício da Republika Srpska".

Segundo o analista político Zoran Kresic, "a maioria dos jovens vê seu futuro fora da Bósnia", cansados das "mesmas histórias, mensagens bélicas e a impossibilidade de viver juntos".

Em um relatório recente, a ONG Transparency International detalhou irregularidades eleitorais nas eleições locais de 2016, incluindo promessas de emprego aos eleitores.

As listas eleitorais são questionáveis: têm 3,3 milhões de eleitores, pouco menos do que o número de habitantes, e um milhão a mais do que em 2004.

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