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Estado de Minas

Candidato da extrema direita, Bolsonaro é franco favorito ao Planalto


postado em 07/10/2018 19:00

Mais divididos do que nunca, os eleitores brasileiros foram às urnas neste domingo (7), com o candidato da extrema direita Jair Bolsonaro, um nostálgico da ditadura militar, como franco favorito para vencer o primeiro turno.

O deputado federal pelo pequeno Partido Social Liberal (PSL) viu crescerem consideravelmente as intenções de voto em sua candidatura desde que foi esfaqueado, em 6 de setembro, durante um comício em Juiz de Fora (MG).

Capitão da reserva do Exército, de 63 anos, Bolsonaro aparece liderando as últimas pesquisas, com 40% a 41% das intenções de voto e poderá disputar um segundo turno em 28 de outubro com Fernando Haddad (25%), o candidato do PT indicado pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

"No dia 28, vamos para a praia", declarou o candidato, após votar na Vila Militar, zona oeste do Rio de Janeiro.

As seções eleitorais abriram às 08h00 e começaram a fechar às 17h00 de Brasília, mas os resultados só começarão a ser divulgados a partir das 19h00 de Brasília, quando forem fechadas as últimas, no estado do Acre (norte), devido ao fuso horário.

Haddad, por sua vez, foi recebido por militantes em uma seção eleitoral da zona sul de São Paulo aos gritos de "Brasil, urgente, Haddad presidente!", enquanto moradores batiam panelas em sinal de desaprovação.

Em declarações à imprensa, o candidato disse estar convencido de que os brasileiros voltarão às urnas em três semanas.

"Haverá segundo turno. O segundo turno sempre é uma oportunidade de comparar projetos", afirmou.

As pesquisas indicam que em um segundo turno os dois políticos, que são ao mesmo tempo os favoritos e os que têm o maior índice de rejeição, estariam em empate técnico, com tendência favorável a Bolsonaro (45%-43% segundo o Ibope e 45%-41% segundo o Datafolha).

"Estamos aqui para defender a democracia contra o fascismo que está se instalando na mentalidade dos brasileiros", disse Margarita Antunes, historiadora paulistana e eleitora de Haddad.

Roseli Milhomem, uma advogada de Brasília de 53 anos, acredita, por sua vez, que a solução para os problemas do Brasil passa por Bolsonaro.

"Temos que eleger alguém que mude as coisas de verdade. Chega de corrupção, nosso país é muito rico para estar em mãos erradas", declarou.

O vencedor para o cargo à presidência substituirá em 1º de janeiro o presidente Michel Temer (MDB), o mais impopular desde o fim da ditadura militar (1964-1985).

Duzentos e oitenta mil policiais e militares garantem a segurança de cerca de 83 mil seções eleitorais distribuídos nos 5.570 municípios dos 26 estados e do Distrito Federal.

A campanha foi marcada por uma guerra de notícias falsas e desmentidos nas redes sociais.

- Haddad, herdeiro para o bem e para o mal -

Haddad, ex-prefeito de São Paulo pouco conhecido em outras regiões, tentou se identificar com Lula e, assim, pôde herdar metade do eleitorado de seu mentor, sobretudo entre a população pobre, que melhorou suas condições de vida sob seus mandatos (2003-2010).

Mas também herdou o ódio que Lula inspira entre aqueles que condenam pelos escândalos de corrupção, revelados pela Operação Lava Jato e pela crise econômica em que mergulhou o país sob o mandato de sua herdeira política, Dilma Rousseff, deposta em 2016 pelo Congresso.

Na última semana, Bolsonaro recebeu o apoio de poderosos setores, como o agronegócio e as igrejas evangélicas.

Também de jogadores de futebol, entre eles Ronaldinho Gaúcho, que publicou uma foto no Twitter vestindo uma camisa com o número 17 de Bolsonaro.

Em seu último vídeo no Facebook, o candidato prometeu governar "inclusive" para ateus e gays.

"Vamos fazer um governo para todos, independentemente da religiosa, até para quem é ateu. Vamos fazer um governo para todo mundo, para os gays, inclusive, porque tem gay que é pai, que é mãe", publicou.

Um dos temores é que uma vitória de Bolsonaro leve da esfera virtual para as ruas a intolerância contra grupos minoritários.

Bolsonaro "não tem um discurso de diálogo, tem um discurso de guerra", afirma Ilana Strozenberg, professora de antropologia social na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Sua chegada ao poder representaria "um risco de exacerbação das diferenças, na medida em que seu discurso expressa preconceitos (...) Que, ante essa posição de um governante, poderiam se tornar mais fortes do que já são", explica.

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