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Estado de Minas

Esposa de presidente da Interpol acredita que chinês está em perigo


postado em 07/10/2018 13:30

A esposa de Meng Hongwei, o presidente chinês da Interpol de quem não tem notícias desde 25 de setembro, acredita que seu marido está em perigo e fez um apelo à comunidade internacional neste domingo (7).

Em uma declaração à imprensa em Lyon (leste da França), onde reside, Grace Meng afirmou que em 25 de setembro, data em que o marido viajou à China, ele enviou uma mensagem dizendo: "aguarde meu telefonema".

Depois, uma segunda mensagem chegou com apenas emoticons sinalizando uma situação de perigo, segundo Grace.

"Não tenho certeza sobre o que aconteceu com ele", afirmou aos jornalistas após ler uma declaração oficial.

"Este caso diz respeito a toda comunidade internacional", ressaltou, com a voz embargada. Ela falou de costas para as câmeras por razões de segurança e pediu para não ser fotografada.

"Apesar de não poder ver o meu marido, nossos corações estão ligados", acrescentou Grace. Ela e seus dois filhos estão sob proteção da polícia desde que recebeu ameaças pelas redes sociais e por telefone, segundo o Ministério do Interior francês.

"Enquanto não puder ver meu marido na minha frente, falando comigo, não posso confiar em nada que seja dito", indicou a mulher.

A Interpol - organização que facilita a cooperação entre as polícias de 192 países - solicitou oficialmente no sábado à China esclarecimentos sobre a situação de seu chefe.

No Twitter, Jürgen Stock, secretário-geral da organização, disse esperar "uma resposta oficial das autoridades chinesas quanto às preocupações sobre o que aconteceu com o presidente" da Interpol.

Meng Hongwei é investigado na China e teria sido levado para interrogatório assim que aterrissou em seu país na semana passada por razões ainda desconhecidas, segundo informou na sexta-feira o jornal de Hong Kong South China Morning Post, citando uma fonte anônima.

Na sexta-feira, as autoridades francesas abriram uma investigação para apurar o desaparecimento. O governo francês disse que está preocupado com as ameaças recebidas pela esposa de Meng.

O desaparecimento de autoridades chinesas tornou-se relativamente comum sob a presidência de Xi Jinping, que vem conduzindo uma campanha anticorrupção há alguns anos e que serviria de pretexto para expurgos políticos na China e no exterior.

Segundo números oficiais, 1,5 milhão de autoridades já foram investigadas nesta campanha.

As razões para uma possível investigação de Meng não estão claras, mas ele cresceu em sua carreira quando o país era dirigido por Zhou Yongkang, um rival do presidente Xi que atualmente cumpre uma pena de prisão perpétua.

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