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Estado de Minas

Frenética torrente de tuítes marca a véspera das presidenciais


postado em 06/10/2018 22:06

Os candidatos à Presidência recorreram neste sábado (6) às redes sociais com transmissões ao vivo e uma frenética torrente de tuítes, na véspera de uma eleição polarizada em que o candidato da extrema direita, Jair Bolsonaro (PSL) aparece como favorito.

Bolsonaro, que aposta em vencer no primeiro turno, tem 36% das intenções de voto, segundo as duas últimas pesquisas publicadas esta noite, enquanto seu principal adversário, Fernando Haddad (PT), tem 22%.

Levando em conta apenas os votos válidos (excluídos os votos brancos e nulos), o candidato do PSL chega a 40% da preferência dos eleitores, mas os analistas consideram improvável que se possa evitar um segundo turno em 28 de outubro.

Mesmo assim, o capitão da reserva do Exército, de 63 anos, aposta em um impulso final.

"De hoje para amanhã, se cada um de vocês conseguir lutar por mais um voto apenas, nós liquidamos a fatura no primeiro turno. Dá para fazermos isso. Tem muita gente indecisa ainda. Tem muita gente que está partindo para o voto útil", escreveu Bolsonaro na noite de sábado em sua página no Facebook.

As pesquisas indicam que em um segundo turno os dois principais candidatos, ao mesmo tempo favoritos e com maior índice de rejeição, ficariam tecnicamente empatados, com tendência favorável a Bolsonaro (45% a 43%, segundo o Ibope e 45% e 41%, segundo o Datafolha).

Em uma tentativa de demonstrar força, seus partidários foram às ruas de Brasília em uma longa carreata.

"O Bolsonaro é o melhor pro país hoje, é a esperança de um país melhor", disse à AFP Cácio de Oliveira, funcionário público. "Se não tiver Bolsonaro, a gente vai virar uma Venezuela".

Bolsonaro conseguiu uma base de apoiadores no Congresso que abrange os representantes do agronegócio, os defensores da liberalização do porte de armas e mais recentemente, das igrejas evangélicas, muito poderosas no país.

- O chamado do PT -

Haddad também se dirigiu a seus simpatizantes através das redes sociais.

"Nesse momento, todo voto é importante: todo debate, toda conversa, todo compartilhamento de material de campanha e notícias boas, como também de respostas contra as mentiras", postou este que foi o escolhido para substituir o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva na corrida presidencial, após ter a candidatura impugnada por ter sido condenado em segunda instância.

A conta oficial de Lula, preso em Curitiba, se uniu à campanha de tuítes, pedindo a seus simpatizantes a declarar seu voto em Haddad nas redes sociais.

Em nova carta a seus seguidores, o ex-presidente (2003-2010) assegurou, ainda, que "o PT é o que tem a experiência mais bem sucedida de governar o Brasil, com a mais forte política de inclusão social".

Em São Paulo, em um dia chuvoso, uma manifestação contra Bolsonaro reuniu apenas duas mil pessoas, muito menos que os protestos multitudinários de uma semana atrás, convocadas sob o lema consigna #EleNao.

"Espero sinceramente que a gente possa derrotar o Jair Bolsonaro, o que significa hoje levar as eleições para o segundo turno", afirmou Daniela Mussi, uma socióloga que participou deste ato.

A presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Rosa Weber, dirigiu-se à noite à Nação, apelando à tolerância.

"É legítimo e saudável que todos exerçamos nossas escolhas observadas as regras do jogo democrático, mas o façamos de ver quem pensa diferente de nós como alguém que merece respeito, como nós merecemos respeito", declarou a juíza, que classificou a democracia brasileira como uma obra inacabada, uma "conquista diária em constante construção".

- Campanha baseada no "medo e na frustração" -

O PT governou o Brasil entre 2003 e 2016, um reinado de 13 anos que terminou brutalmente com a destituição de Dilma Rousseff pelo Congresso, acusada de manipulação das contas públicas.

Agora, promete voltar aos anos de glória de seu líder preso, quando os planos de inclusão social e uma economia pujante permitiram mais de 30 milhões de brasileiros sair da extrema pobreza.

Mas a crise econômica, que deixou quase 13 milhões de desempregados, a violência endêmica e os escândalos de corrupção geraram um forte "antipetismo".

"Bolsonaro tem uma campanha muito baseada no medo e na frustração", explicou à AFP Guilherme Casarões, professor de Ciência Política e Relações Internacionais da Fundação Getúlio Vargas. "As pessoas associam muito a crise econômica e a corrupção ao governo da Dilma, do PT. Isso também ajuda a estimular o sentimento antipetista, que já é muito forte".

Mais de 147 milhões de brasileiros estão habilitados a votar no domingo para eleger o sucessor de Michel Temer.

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