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Estado de Minas

Jornalista crítico a Riad teria sido morto em consulado saudita, diz Polícia


postado em 06/10/2018 21:24

As forças de segurança turcas acreditam que o jornalista saudita Jamal Khashoggi, que desapareceu na terça-feira passada em Istambul, foi assassinado no consulado de seu país, informou à AFP uma fonte próxima ao governo.

"A polícia turca considera, em suas primeiras conclusões, que o jornalista foi assassinado no consulado por uma equipe que veio de propósito a Istambul e partiu no mesmo dia", declarou a fonte.

As autoridades tinham informado um pouco antes que um grupo de sauditas havia ido ao consulado de seu país em Istambul enquanto Khashoggi se encontrava no edifício.

A polícia, citada pela agência estatal Anadolu, acrescentou que o jornalista não deixou a representação diplomática, aonde tinha ido para resolver trâmites administrativos.

"Não acho que o tenham matado", tuitou a namorada turca do jornalista, Hatice Cengiz.

Riad assegura que Khashoggi, um jornalista crítico ao regime saudita que colaborava com veículos como o jornal americano Washington Post, deixou o consulado na terça-feira.

"Segundo tenho entendido, entrou e saiu depois de alguns minutos ou uma hora. Não estou certo", disse o príncipe-herdeiro saudita, Mohamed bin Salman, em entrevista à agência de notícias Bloomberg.

"Estamos dispostos a permitir que o governo turno venha revistar nossos locais", disse, garantindo estar "muito preocupado em saber o que teria acontecido" com o jornalista.

Khashoggi se exilou no ano passado nos Estados Unidos por medo de uma possível detenção depois de ter criticado algumas decisões do príncipe-herdeiro e da intervenção militar de Riad no Iêmen.

Segundo Hatice Cengiz, o jornalista teria ido ao consulado resolver trâmites para seu casamento.

O ministério turco das Relações Exteriores convocou na quarta-feira o embaixador saudita em Ancara para abordar o desaparecimento de Khashoggi.

O procurador-geral de Istambul anunciou neste sábado a abertura de uma investigação judicial sobre o caso.

- "Ferozmente independente" -

As organizações de defesa dos direitos humanos Human Rights Watch (HRW) e Anistia Internacional alertaram o governo saudita de que a eventual detenção do jornalista seria um caso de "desaparecimento forçado".

Em sinal de apoio, o Washington Post decidiu deixar em aberto o espaço em que deveria ter publicado a coluna do jornalista saudita em sua edição de sexta-feira.

Em comentário na Al Yazeera em inglês, o jornalista e analista Bill Law diz conhecer Khashoggi há 16 anos e o descreve como "um jornalista brilhante, dotado de uma mente ferozmente independente e de bastante pragmatismo para saber até onde pode se aproximar das linhas vermelhas".

A Arábia Saudita está na posição 169 de 180 no ranking mundial de liberdade de imprensa da organização Repórteres sem Fronteiras.

Riad promove uma campanha de modernização desde que o príncipe Mohamed bin Salman foi designado herdeiro ao trono, em 2017. Mas a repressão aos dissidentes, com detenções de religiosos, personalidades liberais e de ativistas feministas, se acentuou desde então.

Khashoggi, que fará 60 anos em 13 de outubro, é um dos poucos jornalistas que têm criticado esta repressão.

Em 6 de março, em editorial escrito com Robert Lacey no jornal britânico The Guardian, escreveu que o príncipe Mohamed bin Salman "parece conduzir o país de um extremismo religioso de outra época ao seu próprio extremismo de 'Tem que aceitar minhas reformas', sem nenhuma consulta e com detenções e desaparecimentos de seus detratores. Ignora seu programa uma das reformas mais importantes, a democracia?".

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