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Estado de Minas

Romênia vai à urnas para proibir o casamento gay


postado em 06/10/2018 13:30

O comparecimento, neste sábado (6), às assembleias de voto na Romênia era baixo no primeiro dia do polêmico referendo que pretende gravar na Constituição a proibição de casamento a pessoas do mesmo sexo.

Os 19 milhões de eleitores do país têm até domingo à noite para aprovar uma mudança na definição de casamento de modo que apenas "um homem e uma mulher" possam se casar e não os "cônjuges", como está estipulado na Constituição.

Apenas 2,54% tinham votado até o início desta tarde, segundo dados oficiais, em um referendo em que a grande questão é a participação: para que a consulta seja válida precisa do voto de pelo menos 30% dos inscritos.

Do ponto de vista legal, nada mudará após o referendo, porque a legislação romena não autoriza nem o casamento entre pessoas do mesmo sexo nem a união civil.

Os opositores criticam um voto cujo efeito será unicamente alimentar os discursos homofóbicos.

Os líderes políticos no poder foram os primeiros a ir às urnas, como a chefe do governo social-democrata Viorica Dancila ou o poderoso líder dos social-democratas Liviu Dragnea.

"Chegou a hora de decidir por nós mesmos como queremos viver em nosso país", disse Dragnea, assegurando que não se tratava de "um voto contra uma minoria".

Depois de uma campanha na qual foram exaltados os valores da família, cheia de discursos homofóbicos, o PSD espera mobilizar a Romênia rural e conservadora, núcleo do seu eleitorado.

O partido, que retornou ao poder no final de 2016, atravessa um momento delicado, acusado de querer enfraquecer a luta contra a corrupção e de controlar a justiça.

O resultado do referendo será anunciado na segunda-feira, o mesmo dia em que Liviu Dragnea comparecerá ante à Justiça no caso de empregos fictícios.

"Participar da votação é um direito, uma honra e uma bênção", declarou neste sábado Daniel, o patriarca da poderosa Igreja Ortodoxa.

Os opositores ao voto clamaram pelo boicote, já que a vitória do sim parece assegurada e poderia alcançar 90% dos votos e uma participação de 34%, segundo pesquisa do Instituto CURS

O referendo nasceu de uma "iniciativa cidadã" próxima à Igreja, que apresentou três milhões de assinaturas para concretizá-lo e defender "a família tradicional".

Uma proibição explícita complicaria, ou mesmo impossibilitaria, qualquer mudança futura na lei em favor dos casais homossexuais, de acordo com os opositores da consulta.

Eles temem que o referendo permita lançar outras iniciativas que questionem o aborto ou a educação sexual.

O referendo provocou fortes críticas por parte das instituições europeias, que lembraram Bucareste dos seus compromissos em matéria de direitos humanos.

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