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Estado de Minas

Brett Kavanaugh, juiz de Trump que divide os Estados Unidos


postado em 06/10/2018 12:48

Prestes a ser confirmado para a Suprema Corte dos Estados Unidos, o juiz Brett Kavanaugh compartilha com Donald Trump uma característica fundamental: sua capacidade de dividir radicalmente os americanos.

Salvo surpresas de última hora, o juiz conservador de 53 anos será confirmado neste sábado (6) para a mais alta corte americana com uma votação muito apertada no Senado.

Após ter negado ferozmente durante três semanas as acusações de abuso sexual na sua juventude, a vitória de Kavanaugh será também do presidente, que lhe indicou e apoiou durante todo o caminho.

Mas o próprio juiz já admitiu publicamente: as acusações marcaram "para sempre" sua reputação.

Apesar do veredito favorável dos senadores, a ausência de elementos comprometedores em uma investigação do FBI - muito cobrada pelos democratas -, Kavanaugh certamente tem uma longa batalha para recuperar sua imagem à frente.

Ele vai tentar convencer a população, como ele mesmo escreveu em um raro artigo nesta quinta-feira no Wall Street Journal, de que é "imparcial", "dedicado à Constituição e ao bem público", além de "cortês".

Antes de simbolizar a sabedoria tradicionalmente associada aos nove magistrados da mais alta instância judicial do país, Kavanaugh deverá dissipar as dúvidas que semeou após uma histórica audiência no fim de setembro, na qual o juiz e a denunciante, Christine Blasey Ford, apresentaram suas versões para o ocorrido em uma festa de 1982.

Blasey Ford disse naquele dia que Kavanaugh tentou estuprá-la. Ao negar com veemência as acusações, o juiz parecia prestes a perder a cabeça, com a voz interrompida pelos soluços reprimidos e uma oralidade muito agressiva.

Os únicos erros da juventude que ele admitiu foram algumas cervejas a mais, quando era estudante nos luxuosos subúrbios de Washington. Ele apresentou sua carreira e trajetória pessoal como irrepreensíveis e atribuiu as acusações a uma "armação" política.

"Eu disse coisas que não deveria ter dito, espero que todos possam entender que eu estava sendo questionado como um filho, marido e pai", disse ele.

Ele então se apresentou como o candidato perfeito, brandindo sua retidão, insistindo em seus valores familiares tradicionais e sua fidelidade à esposa Ashley, com quem tem duas filhas.

Kavanaugh, nascido na capital americana, trabalhou para a importante corte de apelação de Washington por mais de uma década.

Ele começou sua carreira como secretário de Anthony Kennedy, o magistrado há muito considerado um voto decisivo na Suprema Corte, e vai sucedê-lo caso seja confirmado.

Ele se formou na prestigiada Universidade de Yale, onde outra acusadora também disse que foi forçada a tocar seus genitais durante uma festa também na década de 1980.

- Católico praticante -

Na década de 1990, ele liderou uma investigação sobre o suicídio do assessor de Bill Clinton, Vince Foster, que estava ligado à controvérsia de Whitewater que começou como uma investigação sobre os investimentos imobiliários do casal presidencial.

Kavanaugh também contribuiu para o relatório do promotor Kenneth Starr sobre o caso de Clinton com a estagiária Monica Lewinsky na Casa Branca, que delineou vários argumentos para o julgamento político do impeachment do então presidente.

O juiz conservador mais tarde integrou a equipe jurídica de George W. Bush, que trabalhou na recontagem de votos no estado da Flórida em 2000, o que resultou na vitória do republicano à Presidência.

Depois que Bush entrou na Casa Branca em 2001, ele recrutou Kavanaugh como consultor jurídico antes de nomeá-lo para o tribunal de apelações. Ali ele deixou uma marca com suas decisões conservadoras.

Em 2012, Kavanaugh fez parte de um painel que eliminou uma medida da Agência de Proteção Ambiental com o objetivo de reduzir a poluição do ar nos Estados Unidos.

Ele recentemente expressou seu desacordo com uma decisão judicial que permitiu que uma adolescente imigrante fizesse um aborto.

Católico devoto, Kavanaugh é ativo em vários grupos religiosos e é um fervoroso defensor dos direitos dos proprietários de armas. Em seu tempo livre, ele treina um time de basquete juvenil e apoia o time de beisebol do Washington Nationals.

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