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Estado de Minas

UE prepara novo relatório sobre impacto de acordos comerciais para setor agropecuário


postado em 05/10/2018 14:24

O chanceler belga, Didier Reynders, destacou nesta sexta-feira (5) a necessidade de estudar o "impacto cumulativo" de acordos comerciais, como o que é negociado com os países do Mercosul, sobre o setor agropecuário, adiantando um novo relatório da Comissão Europeia sobre isso.

"A Comissão apresentará em breve um segundo relatório sobre os efeitos cumulativos e, em particular, no setor agrícola", disse Reynders na chegada a uma reunião de ministros de Comércio da União Europeia (UE) em Innsbruck, na Áustria, onde apresentou uma proposta a este respeito que recebeu o apoio de outros países, como a França.

O acordo comercial entre UE e Canadá, fechado em 2016 e conhecido como Ceta, e o negociado desde 1999 com Argentina, Brasil, Uruguai e Paraguai, despertaram preocupação entre os produtores europeus, especialmente de carne, que temem o aumento da chegada de produtos concorrentes do outro lado do Atlântico.

"Há muitas dúvidas no setor agrícola após a crise nos últimos meses", acrescentou o chanceler belga.

Questionado sobre um eventual impacto sobre as negociações da eleição presidencial no Brasil, Reynders disse que qualquer eleição "sempre tem um impacto".

"Há outras razões para se preocupar com eleições brasileiras", disse a comissária europeia do Comércio, Cecilia Malmström, questionada na chegada à reunião em Innsbruck sobre o efeitos delas nas negociações entre UE e Mercosul.

As negociações foram iniciadas há quase duas décadas e, apesar do impulso dado por ambas as partes após a chegada do protecionista Donald Trump à Casa Branca em 2017, os países do Mercosul e os europeus não chegaram a um acordo e já ultrapassaram os diferentes prazos estabelecidos.

As eleições no Brasil foram um deles. "Eu teria gostado de chegar a um acordo um pouco antes, não estar nesta situação de eleição e nesta situação um pouco difícil na Argentina em termos econômicos", acrescentou o chanceler belga, que defende "continuar" negociações.

"Eu não acho que a eleição seja algo que coloque em risco todo o processo, porque, de qualquer forma, a chegada de um novo governo [no Brasil] acontecerá depois do fim do ano", disse Malmström ao final da reunião, afirmando que o acordo está "muito próximo", embora ainda existam questões "difíceis" para resolver.

Na ausência de um novo ímpeto, alguns europeus consideram difícil que as negociações se encerrem antes das próximas eleições europeias, agendadas para maio de 2019, nas quais se espera um boom das forças eurocéticas.

"Isso seria um pouco otimista", disse o ministro da Economia de Malta, Christian Cardona, sobre um eventual acordo.

As indicações geográficas protegidas de alguns produtos europeus, a rápida liberalização do setor de autopeças na América do Sul - um setor-chave para a UE - e a questão de patentes para produtos farmacêuticos e agroquímicos são alguns dos obstáculos ainda presentes nas negociações.

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