Publicidade

Estado de Minas

Papa pede transformações de estruturas para o jovem não se afaste da Igreja


postado em 03/10/2018 14:36

O papa Francisco inaugurou nesta quarta-feira um sínodo que reúne bispos de todo o mundo e pediu uma transformação das rígidas estruturas da Igreja que mantêm os jovens afastados.

O pontífice, que celebrou na manhã desta quarta-feira na Praça de São Pedro uma missa para lançar o sínodo de quatro semanas dedicado aos jovens, também deu boas-vindas a "dois confrades bispos da China continental", pela primeira vez em um sínodo.

A presença destes dois bispos membros da Associação Patriótica Católica Chinesa (controlada pelo regime) é a consequência de um acordo histórico selado em 22 de setembro entre o Vaticano e a China sobre a nomeação de bispos.

Ao final da missa, uma breve oração em chinês soou na praça.

O sínodo pode "transformar essas estruturas que hoje nos paralisam, nos separam e nos mantêm distantes dos jovens, deixando-os expostos às tempestades e órfãos de uma comunidade de fé que os apoie", declarou o papa em sua homilia matinal.

O sínodo inclui quatro presidentes delegados de todo o mundo, cardeais do Iraque, de Madagascar, de Mianmar e Papua Nova Guiné, países com uma grande proporção de jovens em situação de miséria, conflito ou a um status de minoria religiosa, uma maneira de não limitar os debates apenas às questões sociais ocidentais.

Para o papa, a esperança dos jovens nos encoraja a romper com "o conformismo do 'sempre fizemos assim'". "A mesma esperança exige que trabalhemos para reverter as situações de precariedade, exclusão e violência às quais nossas crianças estão expostas", acrescentou.

Jorge Bergoglio pediu aos prelados para não "cair em uma posição moralista e elitista" e não embarcar em "ideologias abstratas" típicas do "clericalismo", a tentação do clero de viver em isolamento sem ouvir os fiéis e reivindicar uma forma de poder.

Um tema que ele retomou ao abrir os trabalhos da tarde, parecendo referir-se à grave crise de confiança que a Igreja atravessa após as revelações de abusos sexuais do clero.

"O clericalismo é uma perversão e é a raiz de muitos males na Igreja: devemos humildemente pedir perdão e, sobretudo, criar as condições para que não se repitam", disse ele.

Francisco pediu aos participantes que mantivessem os olhos fixos "no bem e no mal", o que "muitas vezes não faz barulho, não é assunto de blogs e não faz manchetes".

O papa ainda não respondeu às denúncias que circulam em blogs conservadores do monsenhor Carlo Maria Vigano, segundo as quais ele, por muito tempo, ignorou conscientemente as ações de um cardeal americano suspeito de abuso sexual contra seminaristas e padres.

São 267 "padres sinodais" (cardeais, bispos, patriarcas cristãos, membros da Cúria, religiosos), 23 especialistas e 34 jovens com entre 18 a 29 anos, ouvidos por 49 auditores, incluindo um punhado de mulheres, a participar do Sínodo sobre "os jovens, a fé e o discernimento vocacional".

Reunida de 3 a 28 de outubro, esta assembleia deve produzir um documento consultivo ao final do encontro.

O papa provocou risos ao enfatizar que este tipo de documento "é geralmente lido por um pequeno número e criticado por muitos", daí a necessidade de "propostas pastorais concretas".

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação

Publicidade