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Estado de Minas

Novo premiê do Iraque ante a difícil tarefa de formar o governo


postado em 03/10/2018 09:12

O independente Adel Abdel Mahdi, recém-nomeado primeiro-ministro do Iraque, tem um mês para formar um governo, uma tarefa árdua perante as diferentes coalizões que reivindicam uma predominância em um parlamento dividido.

O curdo moderado Barham Saleh foi eleito na noite de terça-feira o novo presidente do Iraque, após um duro confronto no Parlamento entre os dois partidos históricos de sua região, o Curdistão, da qual tradicionalmente procede o chefe de Estado.

Menos de duas horas depois de derrotar seu rival Fuad Hussein durante uma votação no parlamento, o novo presidente ordenou que o ex-vice-presidente Abdel Madhi apresente a ele, em 30 dias, um lista de ministros.

A eleição do presidente iraquiano era normalmente uma formalidade, já que é um cargo essencialmente honorário. Mas as disputas entre a União Patriótica do Curdistão (UPK) e o Partido Democrático do Curdistão (PDK) atrasaram a votação em um dia.

Saleh, de 58 anos, candidato da UPK, finalmente obteve 219 votos a favor, e seu adversário, Fuad Hussein, do PDK, 22.

Hussein, de 72 anos, era o chefe de gabinete de Massoud Barzani, ex-presidente do Curdistão autônomo, que organizou um fracassado referendo de independência em 2017.

Tradicionalmente, a UPK era quem apresentava o candidato à Presidência iraquiana, mas, desta vez, o PDK, que, por sua vez, ficava com a Presidência do Curdistão, levou a Bagdá um adversário, provocando difíceis negociações e críticas mútuas.

A eleição deveria acontecer na segunda-feira, mas os deputados protagonizaram todos os tipos de manobras e subterfúgios, incluindo a retirada do PDK de Hussein, que a maioria dos legisladores rejeitou nesta terça para acabar votando por maioria simples entre os dois candidatos.

Saleh foi vice-primeiro-ministro em Bagdá e primeiro-ministro do Curdistão. De perfil moderado, é muito criticado pelos independentistas em Erbil.

Foi ministro do Planejamento após as primeiras eleições multipartidaristas no Iraque, em 2005, e antes também havia desempenhado cargos no Curdistão.

O Curdistão, uma região autônoma desde 1991, votou no domingo para eleger seu Parlamento local.

Hussein, um veterano da oposição a Saddam Hussein (no poder entre 1979 a 2003), é xiita, como a maioria dos políticos influentes na capital, embora a maioria dos curdos seja sunita.

O ex-vice-presidente e agora premiê Adel Abdel Mahdi, também veterano da política iraquiana desde a queda do ditador Saddam em 2003, foi encarregado de formar um governo por Barham Saleh.

Independente, que por muito tempo foi um dirigente de alto escalão de um partido próximo ao Irã, tem o apoio dos americanos, um consenso necessário no país encurralado entre seus dois grandes aliados, inimigos entre si.

Depois da eleição em setembro do presidente do parlamento, o sunita Mohamed al Halbusi, e do presidente, o presidente do primeiro-ministro, reservado para um xiita, é a última posição-chave a ser ocupada.

No Parlamento, os dois campos continuarão a disputar o título de primeira coalizão: depois que o atual primeiro-ministro Haider al-Abadi, abandonado por vários aliados, jogou a toalha, o influente líder xiita Moqtada Sadr e a união de antigos combatentes antijihadistas ligados ao Irã estão posicionados como favoritos.

Abdel Mahdi, um xiita economista de formação, conta com o apoio dos americanos, europeus e mantém boas relações com vários dirigentes curdos.

Após o prazo de 30 dias, Mahdi deve obter a confiança do parlamento nos ministros eleitos. Se falhar, outro candidato será nomeado.

No Iraque, a posição do presidente da República é honorária, uma vez que o poder realmente cabe ao governo. Mas a derrota de Fuad Huassein é um novo golpe para Masud Barzani, ex-presidente do Curdistão autônomo, cujo referendo sobre a independência em 2017 foi um fracasso.

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