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Estado de Minas

Incêndios na Europa vão piorar mesmo que as metas climáticas sejam cumpridas, diz estudo


postado em 02/10/2018 21:24

Mesmo alcançando os objetivos mais otimistas do acordo climático de Paris, a área do sul da Europa devastada por incêndios florestais aumentará pelo menos 40% a cada ano, alertaram pesquisadores nesta terça-feira.

Após dois anos de incêndios frequentemente mortais em Portugal, Espanha, sul da França e Grécia, cientistas da Universidade de Barcelona disseram que mais áreas florestais poderão ser perdidas para as chamas se as metas estabelecidas no acordo climático de 2015 não forem alcançadas.

O acordo visa limitar o aumento da temperatura global "bem abaixo" de 2 graus Celsius - e abaixo de 1,5° C, se possível.

No primeiro estudo desse tipo, a equipe testou modelos informáticos para saber quão piores os incêndios se tornarão se as temperaturas globais subirem 1.5ºC, 2ºC ou 3ºC até o final do século.

"Isso é relevante porque há muitos incêndios nesta área, por exemplo, na Grécia este ano ou no verão passado em Portugal", disse à AFP Marco Turco, do Departamento de Física Aplicada da universidade e principal autor do estudo.

"Estes são exemplos de coisas que virão no futuro", acrescentou.

Turco e sua equipe descobriram que a área do sul da Europa perdida anualmente em incêndios aumentaria entre 40% e 54%, mesmo se as subidas de temperatura forem limitadas a 1,5ºC - a meta mais ambiciosa em todos os esforços de mitigação da mudança climática.

"1.5C é realmente ambicioso... mas não é fisicamente impossível", disse Turco.

Se as temperaturas subirem 2ºC em relação aos níveis pré-industriais, a área destruída pelo fogo aumentaria entre 62% e 87% e, se aumentarem 3ªC, esta área poderia crescer até 187%, uma vez que as secas induzidas pela mudança climática produzem mais material combustível.

O sul da Europa atualmente perde cerca de 4.500 quilômetros quadrados - três vezes a área da Grande Londres - a cada ano para o fogo.

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