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Estado de Minas

Catástrofes revelam deficiências das infraestruturas do Japão


postado em 12/09/2018 10:18

A série recente de desastres naturais no Japão deixou em evidência a vulnerabilidade de infraestruturas importantes, começando pelo aeroporto de Kanzai, o primeiro do mundo construído em uma ilha artificial.

Afetada pelo tufão Jebi na semana passada, a região de Osaka (oeste) "representa 10,9% da riqueza japonesa", afirma Kohei Iwahara, economista da Natixis Japan Securities. "É um pouco mais do que a Bélgica e quase o equivalente à Suécia", completou.

Kansai abriga o aeroporto KIX, perto de Osaka, fundamental para o turismo e para a distribuição de mercadorias. Suas pistas estão inundadas, e milhares de passageiros permaneceram bloqueados por 24 horas.

Quase uma semana depois da passagem do tufão, o terceiro maior aeroporto do país, com 28 milhões de passageiros por ano, continua sem funcionar com normalidade.

- À mercê dos desastres -

Além dos danos sofridos em suas instalações, a ponte, único acesso à terra firme, foi abalada ao ser atingida por um petroleiro.

"A pergunta é: Quanto tempo isto vai durar?", indaga Iwahara.

Este é o mais recente problema para este aeroporto, inaugurado em 1994, após as obras colossais realizadas na baía de Osaka, a 5 quilômetros da costa, para evitar o barulho.

Este foi o primeiro aeroporto do mundo construído em uma ilha artificial, uma proeza com vários inconvenientes: seu peso provoca um afundamento lento no mar e sua localização o expõe a todo tipo de calamidades naturais.

Com o passar dos anos, o aeroporto passou a ter uma série de dispositivos caros, que custam bilhões de dólares. São usados para a retirada da água e para proteção contra as chuvas torrenciais, as ondas e tsunamis, além das marés altas provocadas por tufões.

- Turismo -

Os sistemas foram insuficientes para enfrentar o Jebi, no momento em que o aeroporto estava em plena expansão.

O KIX atrai muitos visitantes da Ásia pela proximidade das ilhas turísticas de Kyoto e Nara.

Também é uma plataforma para o transporte de mercadorias: "5,3 trilhões de ienes em bens, muitos deles semicondutores e componentes elétricos, embarcam no aeroporto, ou seja, 7,2% das exportações do Japão", destaca o professor Yoshihisa Inada, do Centro de Pesquisas Ásia-Pacífico, que tem sede em Osaka.

"As empresas podem optar com bastante facilidade por itinerários diferentes", completa o professor, mais preocupado com as repercussões no turismo.

"Dos 28 milhões de visitantes do arquipélago em 2017, 10 milhões passaram por Kansai e gastaram 885 bilhões de ienes (7,9 bilhões de dólares)", afirma Inada. "Se a situação atual do aeroporto prosseguir por um mês, como vamos compensar a perda de faturamento?", questiona.

- Apagão em Hokkaido -

Antes do tufão Jebi, seguido de um terremoto na ilha de Hokkaido (norte), o Japão sofreu com as chuvas torrenciais no início do verão que, segundo a Agência Nacional de Turismo, provocaram "cancelamentos e um impacto sobre a demanda da Coreia do Sul e de Hong Kong".

Este rosário de catástrofes "vai dissuadir os turistas a curto prazo, mas retornarão", opina Kohei Iwahara, analista da Natixis.

Os desastres recentes evidenciam ainda as falhas da rede de energia elétrica. Em Hokkaido, a paralisação automática da principal central térmica, próxima ao epicentro do tremor, provocou um apagão que afetou três milhões de clientes, algo nunca visto. E o ritmo normal deve retornar apenas em novembro.

A crise do sistema elétrico afeta hospitais, fazendas e fábricas. Mas, no Japão, o caos não dura muito tempo. "Os terremotos e tufões fazem parte do nosso dia a dia. No plano econômico, vamos superar em alguns meses", opina Iwahara.

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