Publicidade

Estado de Minas

Guerra comercial empurra empresas chinesas ao êxodo


postado em 11/09/2018 16:24

Diante das tarifas que Donald Trump está impondo aos produtos chineses, várias empresas no país foram forçadas a transferir sua produção para Vietnã ou México, uma consequência da guerra comercial com os Estados Unidos.

Citando seu enorme déficit comercial com a China, Washington impôs em julho e agosto tarifas de 25% a 50 bilhões de dólares em produtos chineses importados e prevê impor novas taxas a 200 bilhões de dólares em bens.

Para escapar deles, muitas empresas chinesas decidiram fabricar seus produtos fora do país, entre elas fabricantes de pneus, plásticos ou têxteis, segundo declarações comerciais consultadas pela AFP.

A HL Corp, fabricante de peças para bicicletas, anunciou no mês passado a mudança de uma de suas fábricas para o Vietnã. O objetivo é "reduzir e evitar" o impacto das tarifas aduaneiras americanas, explicou o grupo, garantindo que o governo Trump ataca deliberadamente as bicicletas elétricas chinesas.

"As tarifas americanas conduzem inevitavelmente as empresas a ajustar suas cadeias de produção quando, do dia para a noite, tornam-se 25% menos competitivas", avalia Christopher Rogers, da consultora comercial Panjiva.

A tendência não é nova, já que a indústria chinesa está deslocando parte de sua produção no sudeste da Ásia para fazer frente ao encarecimento da mão de obra local e ao endurecimento das normas ambientais.

"As tensões comerciais sino-americanas aceleram a tendência" e esse êxodo "alimenta os problemas de desemprego" na China, destaca Cui Fan, diretor de pesquisa da China Society of WTO Studies, um grupo de reflexão dependente do governo.

- Vietnã, Mianmar e México -

Os fabricantes Hasbro (brinquedos), Olympus (câmeras) ou Deckers (sapatos) são algumas das multinacionais que tiraram suas cadeias produtivas na China. Mas agora as próprias empresas chinesas também estão fazendo isso.

A Hailide New Material, que fabrica fios industriais em uma fábrica em Zhejiang (leste), exporta a maior parte de sua produção para os Estados Unidos e outros países.

"Atualmente nós produzimos tudo na China. Para evitar o risco de medidas antidumping e do aumento de tarifas, decidimos, depois de uma longa avaliação, instalar uma fábrica no Vietnã", disseram os diretores do grupo aos seus acionistas no mês passado.

A fábrica, um investimento avaliado em US$ 155 milhões, que deve aumentar a produção da empresa em 50%, assumirá os produtos destinados aos Estados Unidos.

Há outros exemplos, como uma empresa têxtil que será instalada em Mianmar, uma fabricante de colchões que abre um escritório na Tailândia e uma fabricante de motores que terá uma fábrica no México, de acordo com declarações à Bolsa de diferentes grupos.

Já a Linglong Tire, uma empresa de pneus, aproveitou-se de um empréstimo a juros baixos para construir uma fábrica de quase US$ 1 bilhão na Sérvia, perto da UE.

A indústria chinesa de pneus "está passando por uma situação econômica sombria devido a atritos comerciais", disse o grupo, citando uma nova investigação antidumping americana. "Uma fábrica no exterior permite o crescimento indireto e escapa das barreiras comerciais", diz ele.

Grande parte da indústria de bicicletas já está se mudando para fora da China, segundo a HL Corp, que garante que muitos de seus clientes já foram para o Vietnã.

As bicicletas elétricas chinesas estão no foco dos Estados Unidos, mas também da União Europeia, que desde julho aplica tarifas entre 22% e 84%, porque considera que os subsídios públicos chineses ao alumínio reduzem artificialmente o preço de seus produtos.

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação

Publicidade