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Estado de Minas

Lula estica ao máximo os prazos para designar seu substituto


postado em 10/09/2018 23:48

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, preso por corrupção, apresentou nesta segunda-feira (10) um novo recurso para manter sua candidatura nas eleições de 7 de outubro, apesar de a Justiça ter dado até terça-feira para o Partido dos Trabalhadores (PT) nomear seu substituto.

Cada parte defende suas posições: o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) negou pela manhã estender esse prazo, que vence às 19h00 de terça-feira, enquanto os advogados de Lula insistem na nota com a qual o Comitê de Direitos Humanos da ONU ratifica seu pronunciamento a favor que o ex-presidente seja candidato e faça campanha, apesar de estar preso.

A defesa de Lula também interpôs um novo recurso junto ao Superior Tribunal Federal para prolongar a questão até 17 de setembro, quando o STF deverá resolver todos os casos relacionados às eleições.

Lula, cuja candidatura foi invalidada em 1º de setembro pelo TSE por causa de sua situação jurídica, recebeu durante o dia em sua cela em Curitiba seus advogados e seu companheiro de chapa, Fernando Haddad, citado como seu provável substituto.

Na primeira pesquisa Datafolha desde a impugnação de Lula, divulgada nesta segunda-feira, Haddad subiu de 4% para 9% das intenções de voto, algo que segundo os analistas o colocam com chances reais de chegar ao segundo turno.

Mas Lula não parece dar sinais de querer jogar a tolha sem explorar todas suas possibilidades.

Essa atitude provoca tensões dentro do PT, que pode acabar sendo excluído das eleições se não cumprir o prazo do TSE. Em função disso, a diretoria nacional do partido se reúne nesta terça-feira em Curitiba.

Do lado de fora da sede da Polícia Federal em Curitiba, onde Lula está preso desde abril, um grande número de jornalistas aguarda as resoluções que podem decidir o futuro da esquerda, das eleições e do Brasil.

A poucos metros deles, os seguidores incondicionais de Lula permanecem em vigília, também ansiosos por uma decisão.

As incógnitas em torno da candidatura de Lula criam muita tensão em várias esferas da sociedade brasileira.

O comandante-em-chefe do Exército, Eduardo Villas Boas, descreveu como "uma tentativa de invasão da soberania nacional" o pedido de cumprimento do pronunciamento do Comitê de Direitos Humanos da ONU e avisou, em entrevista publicada no domingo pelo jornal O Estado de S.Paulo, que a autorização da candidatura de Lula "afrontaria tanto a Constituição quanto a Lei da Ficha Limpa, removendo a legitimidade (...) e dividindo ainda mais a sociedade brasileira".

Essa lei, sancionada pelo próprio Lula no último ano de sua presidência (2003-2010), determina que nenhum condenado em segunda instância, como é seu caso, possa se candidatar a cargos eletivos.

O ex-presidente, de 72 anos, cumpre uma pena de 12 anos e um mês de prisão por corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

A Justiça o reconheceu como beneficiário de um tríplex no Guarujá, litoral de São Paulo, oferecido pela construtora OAS em troca de mediações para obter contratos com a Petrobras, o que Lula nega.

- Bolsonaro, ainda em estado grave -

O primeiro colocado nas pesquisas de intenção de voto sem a presença de Lula, Jair Bolsonaro, segue em estado grave após o ataque com faca sofrido no comício em Juiz de Fora, informou em recente boletim o Hospital Albert Einstein, onde se encontra internado, em São Paulo.

Bolsonaro, de 63 anos e que concentra sua campanha em posições controversas, como defender o porte de armas, deve ficar de fora dos eventos de campanha até as eleições, embora se mantenha ativo nas redes sociais.

"Continuamos à frente da disputa!", tuitou no domingo.

Na noite desta segunda será divulgada uma nova pequisa Datafolha que medirá o primeiro impacto desse ataque junto ao eleitorado.

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