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Estado de Minas

Rússia demonstra força militar com enormes manobras


postado em 10/09/2018 10:48

Cerca de 300.000 homens, todos militares do Exército na ativa e soldados chineses em apoio: a Rússia lança na terça-feira as maiores manobras militares de sua história, denunciadas pela Otan como o ensaio para um "grande conflito".

Esta mobilização maciça e participação dos Exércitos chinês e mongol nestes exercícios batizados de "Vostok-2018" (Leste-2018), realizados de 11 a 17 de setembro na Sibéria Oriental e no Extremo Oriente russo, ocorre em meio a tensões persistente com o Ocidente, entre a crise ucraniana, o conflito sírio e inúmeras acusações de interferência na política ocidental.

O Exército russo comparou esta demonstração de força ao "Zapad-81" (Oeste-81) que, há quase 40 anos, mobilizou entre 100.000 e 150.000 soldados do Pacto de Varsóvia no Leste Europeu, as maiores manobras organizadas na era soviética.

"Haverá um ar de Zapad-81, mas mais imponente de certa maneira", declarou no final de agosto o ministro da Defesa russo, Serguei Shoigu, detalhando o contingente esperado: 300.000 soldados, 36.000 veículos militares, 1.000 aviões e 80 navios.

"Imagine 36.000 veículos militares se movendo ao mesmo tempo: tanques, blindados de transporte de tropas, veículos de combate de infantaria. E tudo isso, é claro, em condições próximas a uma situação de combate", explicou.

Todo o repertório moderno do Exército russo será exibido: mísseis Iskander, capazes de transportar ogivas nucleares, tanques T-80 e T-90 e os recentes caças de combate Su-34 e Su-35. No mar, a frota russa implantará várias fragatas equipadas com mísseis Kalibr, que provaram seu valor na Síria.

Os últimos exercícios militares russos na região, Vostok-2014, reuniram 155.000 soldados, já as manobras Zapad-2017 (Oeste-2017) organizadas no ano passado nas portas da União Europeia implicaram 12.700 homens segundo Moscou, enquanto a Ucrânia e os países bálticos citaram um contingente muito maior.

- "Futura guerra mundial" -

À margem do Fórum Econômico de Vladivostok, no Extremo Oriente russo, onde o presidente chinês também é esperado, o presidente russo Vladimir Putin deve assistir aos Vostok-2018.

"Trata-se de uma preparação para uma futura guerra mundial. O Estado-Maior russo acredita que acontecerá depois de 2020: seja uma guerra global, ou uma série de conflitos regionais em larga escala. E o inimigo será os Estados Unidos e seus aliados", explicou à AFP o especialista militar russo Pavel Felguengauer.

Segundo ele, a participação da China nesses exercícios, apesar de modesta com 3.200 homens, é um fator-chave. "Não é tanto um sinal, uma mensagem, como uma preparação para uma guerra real de grande magnitude", assegurou.

Uma opinião compartilhada pela Otan, que acredita que os exercícios Vostok-2018 "demonstram que a Rússia se concentra na formação de um conflito em grande escala".

"Isso é parte de uma tendência que temos visto há algum tempo: uma Rússia mais segura de si mesma, que aumenta significativamente seu orçamento de defesa e sua presença militar", indicou um porta-voz da Aliança Atlântica, Dylan White.

Preocupações minimizadas pela Rússia. Segundo a porta-voz do ministério das Relações Exteriores, Maria Zakharova, "Vostok-2018 está longe da área de responsabilidade da Otan e não altera a segurança de seus Estados-membros".

- 'Sem alternativa' -

Desde 2014 e a acentuada degradação das relações entre Moscou e o Ocidente, a Rússia aumentou seus exercícios militares, do Cáucaso ao Báltico e até no Ártico, enquanto denuncia a expansão em suas fronteiras da Otan, uma ameaça fundamental à sua segurança de acordo com a nova doutrina militar russa adotada no mesmo ano.

As manobras russas no Extremo Oriente foram precedidas de exercícios no Mediterrâneo, de 1 a 8 de setembro, nos quais participaram mais de 25 navios e trinta aviões, em um contexto de fortalecimento da presença russa na Síria, onde intervém militarmente desde 2015.

Também acontecem depois de exercícios militares realizados no início de setembro no oeste da Ucrânia, envolvendo 2.200 soldados ucranianos, americanos e outros membros da Otan.

O porta-voz do Kremlin advertiu no final de agosto: "A capacidade (da Rússia) para defender-se na atual situação internacional, que muitas vezes é bastante agressiva e hostil em relação ao nosso país, se justifica, é essencial e sem alternativa."

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