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Estado de Minas

Coreia do Norte faz desfile sem mísseis intercontinentais; Trump comemora

Soldados, peças de artilharia e tanques desfilaram diante do líder norte-coreano, Kim Jong-un


postado em 09/09/2018 14:00 / atualizado em 09/09/2018 14:44

Kim Jong-un preferiu mostrar sua amizade com a China, levantando a mão do enviado do presidente Xi Jinping(foto: AFP / Ed JONES)
Kim Jong-un preferiu mostrar sua amizade com a China, levantando a mão do enviado do presidente Xi Jinping (foto: AFP / Ed JONES)

A Coreia do Norte organizou, neste domingo (9), um desfile militar para celebrar seu 70º aniversário, mas evitou exibir os mísseis balísticos intercontinentais que lhe valeram inúmeras sanções internacionais.


Soldados, peças de artilharia e tanques desfilaram diante do líder norte-coreano, Kim Jong-un, no centro de Pyongyang, mas os únicos mísseis mostrados foram de curto alcance, constatou um jornalista da AFP.


Kim Jong-un preferiu mostrar sua amizade com a China, levantando a mão do enviado do presidente Xi Jinping quando ambos saudaram a multidão durante o desfile.


O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, elogiou hoje o desfile militar "sem mísseis nucleares".


"Esta é uma mensagem forte e muito positiva por parte da Coreia do Norte", tuitou Trump.


"Obrigado, presidente Kim", completou, acrescentando que nada é melhor do que "um bom diálogo entre duas pessoas que se apreciam".


A República Popular Democrática da Coreia (RPDC) foi proclamada em 9 de setembro de 1948, três anos depois de Moscou e Washington dividirem a península após o fim da Segunda Guerra Mundial.


Essa data é uma das mais importantes do calendário político norte-coreano e costuma ser uma ocasião para ostentar material militar.


Uma demonstração muito ostensiva poderia prejudicar, porém, os avanços diplomáticos obtidos na península, depois do encontro de Kim com Trump, em junho, em Singapura, e antes da cúpula prevista para o final do mês entre Kim e o presidente sul-coreano, Moon Jae-in, em Pyongyang.

(foto: AFP / Ed JONES)
(foto: AFP / Ed JONES)


Depois de uma salva de 21 tiros de canhão, dezenas de unidades de Infantaria desfilaram pela praça Kim Il-sung, algumas equipadas com lentes de visão noturna, ou lança-granadas RPG, sob o olhar atento de Kim Jong-un, neto do fundador da Coreia do Norte.


Li Zhanshu, um dos sete membros do comitê permanente do burô político do Partido Comunista Chinês, o organismo mais poderoso do país, estava sentado junto a Kim na tribuna.


Seguiram-se transportes de tropas blindados, lança-foguetes múltiplos e tanques, enquanto no céu um grupo de biplanos formaram o número "70".


Caças lançando fumaças vermelhas, brancas e azuis - as cores da bandeira norte-coreana - sobrevoaram a torre de Juche, monumento em homenagem à filosofia política de Kim Il-sung.


Nem rastro dos ICBMs


Depois, apareceram os mísseis, o ápice dos desfiles. Foram exibidos apenas o Kumsong-3, míssil de cruzeiro antinavio, e o Pongae-5, terra-ar.


Não houve nem sinal dos Hwasong-14 e 15, mísseis que podem alcançar o território continental dos Estados Unidos e que, após serem testados no ano passado, significaram uma reviravolta no esquema estratégico internacional.


"Parece que os norte-coreanos tentaram realmente minimizar a natureza militar" do evento, comentou o diretor do Korea Risk Group, Chad O'Carroll.


"Não houve ICBM (mísseis balísticos intercontinentais), nem IRBM (mísseis de alcance médio), cuja presença não teria sido muito conveniente neste clima, no qual a Coreia do Norte se comprometeu (...) Acho que será bem-visto", avaliou.


Logo depois da parada militar, milhares de civis desfilaram, em carros abertos ornados com lemas econômicos, ou frases a favor da reunificação da península.


Neste domingo, entre os presentes, estava o ator francês Gérard Depardieu, sentado deixado da tribuna principal. Após o desfile civil, Kim e Li saudaram a multidão.


Pequim é um protetor diplomático fundamental de Pyongyang, além de seu sócio comercial.


A decisão do presidente Xi Jinping de não comparecer pessoalmente às celebrações pode ser uma forma de expressar seu apoio a Pyongyang sem se opor diretamente aos EUA, no momento em que Washington e Pequim se enfrentam em duras questões comerciais.


Também pode ser uma forma de dizer que Pequim quer que Kim faça mais esforços para reduzir as tensões antes de uma visita presidencial.


O último presidente chinês a ir à Coreia do Norte foi Hu Jintao, em 2005.


Segundo O'Carroll, Pyongyang quer destacar sua relação com Pequim.


"Isso tem consequências sobre as negociações entre Washington e Pyongyang, é claro, já que a China continua sendo um ator importante e sua presença aqui, com uma delegação de tão alto nível, serve para lembrar isso aos Estados Unidos", completou.

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