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Estado de Minas

Prisão e hospital: comitês de campanha dos principais candidatos à Presidência


postado em 07/09/2018 15:18

A prisão e o hospital se tornaram as sedes de campanha dos dois líderes da corrida eleitoral brasileira - Luiz Inácio Lula da Silva e Jair Bolsonaro, respectivamente -, marcada para 7 de outubro.

A disputa pelo Palácio do Planalto mais incerta e radical da história do país tem como protagonistas, neste momento, um presidiário e um enfermo. E se ambos contam com a maior base de apoio popular, também somam os maiores índices de rejeição entre os candidatos à Presidência.

Enquanto o ex-presidente Lula continua a trabalhar pela candidatura do Partido dos Trabalhadores (PT) de sua cela em Curitiba, onde cumpre pena de 12 e um mês de prisão por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, o deputado Bolsonaro agora faz campanha de um leito no Hospital Albert Einstein, em São Paulo - para onde foi transferido nesta sexta-feira, após ser ferido a facada em um comício na quinta, em Juiz de Fora, Minas Gerais.

Bolsonaro lidera as intenções de voto após a invalidação da candidatura de Lula há uma semana. O petista era o primeiro colocado em todas as pesquisas de intenção de voto.

Contudo, uma pesquisa Ibope nesta quarta mostrou que Bolsonaro seria derrotado no segundo turno por quase todos os adversários, mas o ataque pode mudar o cenário.

Se a condição de vítima pode render empatia e votos a um político, agora Lula - que atribui sua condenação a uma conspiração das elites para impedi-lo de voltar ao poder - encontrou um concorrente neste setor.

Mas de acordo com David Fleischer, professor emérito de Ciências Políticas da Universidade de Brasília, Bolsonaro e Lula "são vítimas de duas coisas muito diferentes".

"Lula se pode acreditar vitima dos tribunais, mas dentro da lei. Bolsonaro é vitima do atentado. São vítimas, sim, mas Lula como vítima depende de uma percepção", afirmou.

O ex-presidente foi condenado em segunda instância por ser considerado beneficiário de um apartamento tríplex no Guarujá, litoral de São Paulo, oferecido pela empreiteira OAS em troca de facilidades de contratos na Petrobras. Seus advogados apresentaram recursos em tribunais de terceira instância e ao Supremo Tribunal Federal (STF).

- Mais visibilidade na TV -

Devido à diferença de conjuntura, "Bolsonaro pode fazer gravação de vídeos e entrevistas para a TV do hospital, e isto é proibido para Lula na prisão", lembra Fleischer.

O atentado que podia ter custado a vida de Bolsonaro acabou dando ao ex-capitão do Exército grande presença na mídia, que compensará os limitados oito segundos de propaganda televisiva gratuita a que tem direito, devido à reduzida bancada do Partido Social Liberal (PSL) no Congresso.

Já o PT precisou tirar as referências de Lula como candidato de seus anúncios de campanha.

Bolsonaro já começou a se aproveitar disso do quarto do hospital, com sonda respiratória, após ser operado.

A facada lhe provocou três perfurações no intestino delgado, uma lesão grava no intestino grosso e outra na artéria abdominal.

Em vídeo gravado e divulgado por um senador aliado logo após sua cirurgia, o candidato agradeceu a Deus e aos médicos e lamentou não poder assistir ao desfile militar que acontece nesta sexta no Rio de Janeiro por ocasião do Dia da Independência.

"Mas estamos com coração e mente, sempre tendo um Brasil acima de tudo e Deus acima de todos", afirmou, usando um slogan de seu campanha.

Enquanto isso, Lula trabalha da prisão em Curitiba. Seu principal interlocutor é Fernando Haddad, companheiro de chapa, que faz parte da equipe de advogados e pode substituí-lo se sua candidatura for impedida.

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