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Estado de Minas

Prisão e hospital: comitês de campanha dos principais candidatos à Presidência


postado em 07/09/2018 15:00

A prisão e o hospital se tornaram as sedes de campanha dos dois líderes da corrida eleitoral brasileira - Luiz Inácio Lula da Silva e Jair Bolsonaro, respectivamente -, marcada para 7 de outubro.

A disputa pelo Palácio do Planalto mais incerta e radical da história do país tem como protagonistas, neste momento, um presidiário e um enfermo. E se ambos contam com a maior base de apoio popular, também somam os maiores índices de rejeição entre os candidatos à Presidência.

Enquanto o ex-presidente Lula continua a trabalhar pela candidatura do Partido dos Trabalhadores (PT) de sua cela em Curitiba, onde cumpre pena de 12 e um mês de prisão por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, o deputado Bolsonaro agora faz campanha de um leito no Hospital Albert Einstein, em São Paulo - para onde foi transferido nesta sexta-feira, após ser ferido a facada em um comício na quinta.

Bolsonaro lidera as intenções de voto após a invalidação da candidatura de Lula há uma semana. O petista era o primeiro colocado em todas as pesquisas de intenção de voto.

Uma pesquisa Ibope nesta quarta mostrou que Bolsonaro seria derrotado no segundo turno por quase todos os adversários, mas o ataque pode mudar o cenário.

- Mais visibilidade na TV -

O ex-capitão do Exército soma, agora, preciosos minutos em destaque na mídia aos limitados oito segundos de propaganda televisiva gratuita a que tem direito.

Candidato pelo Partido Social Liberal (PSL), Bolsonaro já começou a se aproveitar disso do quarto do hospital, com sonda respiratória, após ser operado.

A facada lhe provocou três perfurações no intestino delgado, uma lesão grava no intestino grosso e outra na artéria abdominal.

Em vídeo gravado e divulgado por um senador aliado logo após sua cirurgia, o candidato agradeceu a Deus e aos médicos e lamentou não poder assistir ao desfile militar que acontece nesta sexta no Rio de Janeiro por ocasião do Dia da Independência.

"Mas estamos com coração e mente, sempre tendo um Brasil acima de tudo e Deus acima de todos", afirmou, usando um slogan de seu campanha.

Enquanto isso, Lula trabalha da prisão em Curitiba. Seu principal interlocutor é Fernando Haddad, companheiro de chapa, que faz parte da equipe de advogados e pode substituí-lo se sua candidatura for impedida.

"Mas estamos com coração e mente, sempre tendo um Brasil acima de tudo e Deus acima de todos", afirmou, usando um slogan de seu campanha.

Condenado por ser considerado beneficiário de um apartamento tríplex no Guarujá, litoral de São Paulo, oferecido pela empreiteira OAS em troca de facilidades de contratos na Petrobras, o ex-presidente se declara inocente e denuncia uma conspiração das elites para impedi-lo de voltar ao poder.

Se a condição de vítima pode render empatia e votos a um político, agora Lula encontrou um concorrente neste setor.

Mas essa compaixão, longe de ser pacífica, pode acirrar ainda mais os ânimos do país.

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