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Estado de Minas

Operado após receber facada, Bolsonaro é transferido para São Paulo


postado em 07/09/2018 11:48

O candidato à presidência Jair Bolsonaro chegou nesta sexta-feira (7) em São Paulo, onde continuará seu tratamento após ser gravemente ferido por uma facada na quinta durante um comício eleitoral em Juiz de Fora.

O deputado dará entrada no Hospital Albert Einstein, para onde foi transferido da Santa Casa de Juiz de Fora.

"Essa transferência foi realizada sem nenhum risco para o deputado", disse à imprensa esta manhã a médica da Santa Casa Eunice Dantas, indicando que o candidato deverá permanecer internado entre "sete e dez dias".

A doutora Eunice explicou que "a cirurgia foi muito bem feita e ele está em ótimas condições clínicas, ele está hemodinamicamente estável". A transferência aconteceu por "decisão da família", acrescentou.

Bolsonaro deixou a Santa Casa em uma ambulância rumo ao aeroporto da Serrinha. "Ele saiu tranquilo daqui. Esse transporte dele foi absolutamente seguro", acrescentou a médica.

O candidato, de 63 anos, foi levado para o hospital da cidade mineira com um quadro de saúde grave: hemorragia interna, três perfurações no intestino delgado, uma lesão grave no intestino grosso e outra em uma veia do abdome.

O suposto autor do ataque, que foi rapidamente detido, foi identificado como Adélio Bispo de Oliveira, um ex-militante do partido de esquerda PSOL, que explicou à polícia ter agido "cumprindo uma missão divina, uma missão de Deus".

- Campanha se agita -

O atentado agitou a campanha eleitoral e mobilizou os partidários de Bolsonaro.

O próprio ex-militar, em vídeo gravado e divulgado por um senador aliado logo após sua cirurgia, agradeceu a Deus e aos médicos e lamentou não poder assistir ao desfile militar que acontece nesta sexta no Rio de Janeiro por ocasião do Dia da Independência.

"Mas estamos com coração e mente, sempre tendo um Brasil acima de tudo e Deus acima de todos", afirmou, usando um slogan de seu campanha.

Um de seus filhos, Flávio Bolsonaro, foi ovacionado ao deixar o hospital de Juiz de Fora.

Os médicos "falaram que, em questão de 5-10 minutos, ele poderia não resistir. Para tristeza de muitos ele está bem forte e daqui a pouco está de volta", declarou.

- Deus, armas e mercados -

Bolsonaro se lançou em campanha para as eleições mais polarizadas e incertas da história recente do país como candidato do pequeno Partido Social Liberal (PSL).

Sua proximidade com grupos conservadores evangélicos e sua retórica dura contra a criminalidade e em defesa da liberalização do porte de arma ganharam terreno em um país com mais de 60.000 homicídios por ano.

E suas críticas contra a corrupção encontraram forte eco entre milhões de brasileiros aturdidos pela extensão da corrupção revelada pela Operação Lava Jato, que afetou todos os partidos que dominavam a vida política desde o fim do regime militar (1964-1985).

Tradicionalmente identificado com posições nacionalistas, Bolsonaro também se aproximou nos últimos meses do ultraliberalismo, sob a orientação do economista Paulo Guedes.

Sua figura e a do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva polarizaram a campanha. Mas Lula, atualmente preso por corrupção, foi excluído em 31 de agosto da corrida presidencial pela Justiça eleitoral.

Até aquele momento, Bolsonaro aparecia em segundo nas pesquisas, mas com metade das intenções de voto do ex-líder sindical.

Agora, o capitão da reserva do Exército e deputado federal lidera com 22% das intenções de voto, como aponta a pesquisa Ibope divulgada na quarta-feira (5), à frente de Ciro Gomes e de Marina Silva que, no entanto, conseguiriam derrotá-lo no segundo turno.

Mas esse ataque pode redistribuir as cartas.

"O ataque sofrido poderia ajudar Bolsonaro a superar sua alta taxa de rejeição", que passa dos 40%, apontou Jimena Blanco, analista da Verisk Maplecroft.

No vídeo gravado no hospital, Bolsonaro disse que sabia que poderia ser vítima de um ataque, mas expressou surpresa: "Eu nunca fiz mal a ninguém".

"Esse incidente aumenta as chances eleitorais de Bolsonaro. Estava perdendo votos, de repente se torna uma vítima quase tão grande quanto Lula", disse o analista Richard Back, da XP Investments, à Bloomberg.

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