Publicidade

Estado de Minas

Iêmen: rebeldes huthis impõem condições, após ultimato do governo


postado em 06/09/2018 13:00

Uma grande incerteza reinava nesta quinta-feira (6) em relação ao futuro das discussões de paz de Genebra sobre o Iêmen, no momento em que os rebeldes huthis impõem três condições para participar do diálogo, após o ultimato lançado pelo governo.

Ainda assim, o enviado da ONU para o Iêmen, o britânico Martin Griffiths, considerou um bom sinal ver a delegação dos huthis "presente" em Genebra "para fazer o processo político avançar".

As discussões de Genebra são as primeiras desde o fracasso, em 2016, de um processo de paz que durou vários meses no Kuwait. A ausência de uma das partes dificultou, porém, o avanço do debate, antes mesmo de começar.

"Esta reunião foi prevista há dois meses (...) Hoje, estamos sozinhos", declarou à imprensa Hamza Alkamali, que integra a delegação do governo iemenita.

"Vamos embora se eles (os huthis) não vierem (...) nas próximas 24 horas", garantiu, na saída de uma reunião entre o enviado especial da ONU e a delegação do governo, dirigida pelo ministro iemenita das Relações Exteriores, Khaled al-Yamani.

Os rebeldes impuseram três condições para se sentarem à mesa em Genebra. Eles exigem a saída de um avião de Omã, a transferência dos feridos para Mascate, assim como a garantia de poder voltar à capital iemenita, Sanaa - controlada por eles -, após o fim das consultas, disse hoje à AFP um membro da delegação, Hamid Assem.

"Estamos prontos para ir (a Genebra), mas as Nações Unidas não mantiveram suas promessas nos pontos que são alvo de um acordo (prévio) com seu enviado (Martin Griffiths)", acrescentou o delegado.

"Temos feridos que queremos transferir para Omã e feridos em Omã que queremos repatriar para Sanaa, e isso é alvo de um acordo" com a ONU, completou Assem.

- Feridos são 'combatentes' -

No cargo desde fevereiro, o enviado da ONU disse estar "consciente das dificuldades que existem para reunir as partes em Genebra", mas garantiu que continuará a se "esforçar para superar os obstáculos para que as consultas possam avançar".

Já Alkamali afirmou que "a maioria" dos "feridos" que os rebeldes desejam transportar são "combatentes".

"Precisamos dizer que a autorização de voo foi liberada há três dias", afirmou.

"Eles dizem que querem transferir alguns feridos, o que era aceitável. Verificamos os nomes, e a maioria dos que foram enviados para a coalizão são de combatentes", explicou.

Sinal do abismo entre o governo iemenita, apoiado pela Arábia Saudita, e os rebeldes huthis apoiados pelo Irã, durante as consultas, nenhum encontro cara a cara está previsto - salvo algum fator excepcional.

Na quarta-feira, o Conselho de Segurança da ONU pediu às partes iemenitas que "deem um primeiro passo na direção do fim de um conflito", que está na origem da pior crise humanitária atual.

"O povo americano iemenita precisa desesperadamente de um sinal de esperança", declarou Griffiths, terceiro mediador a mergulhar no complexo caso iemenita, em entrevista coletiva ontem.

Ele disse ainda que espera estabelecer "medidas de confiança" entre as partes, como a vacinação infantil, ou a libertação de prisioneiros.

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação

Publicidade