Publicidade

Estado de Minas

Rússia, Irã e Turquia decidem em Teerã destino da província síria de Idlib


postado em 06/09/2018 09:00

Os presidentes de Irã, Rússia e Turquia celebrarão uma cúpula nesta sexta-feira em Teerã para determinar o destino da província síria de Idlib, último reduto rebelde, contra o qual o regime sírio e seus aliados preparam uma ofensiva militar.

Às vésperas dessa reunião entre os principais padrinhos dos beligerantes sírios - Rússia e Irã, aliados do governo, e Turquia, dos rebeldes -, a ONU advertiu contra o risco de um "banho de sangue" em Idlib.

A ofensiva contra essa província do noroeste da Síria, na fronteira com a Turquia, poderia provocar uma catástrofe humanitária de proporções nunca vistas desde o início do conflito, em 2011.

Os Estados Unidos pediram que o Conselho de Segurança da ONU se reunisse para tratar do assunto.

Nas últimas semanas, o governo concentrou muitas tropas nas fronteiras da província, controlada em grande parte pela Hayat Tahrir al-Sham (HTS), uma organização extremista criada pelo ex-braço da Al-Qaeda.

Mas o destino de Idlib está nas mãos dos presidentes iraniano, Hassan Rohani, russo, Vladimir Putin, e turco, Recep Tayyip Erdogan, que, em Teerã, podem entrar em acordo sobre o alcance e o calendário da ofensiva.

A Turquia teme que a ofensiva provoque uma chegada maciça de sírios em suas fronteiras.

"A situação de Idlib será um dos temas principais de discussão" da cúpula de Teerã, declarou na terça-feira o porta-voz do Kremlin, Dimitri Peskov.

"Sabemos que as forças sírias estão se preparando para resolver esse problema", acrescentou.

- 'Hora zero' -

Em Idlib chegaram milhares de rebeldes e civis evacuados dos redutos insurgentes retomados pelo Exército sírio no resto do país, como os de Aleppo ou Guta Oriental.

Turquia, Rússia e Irã têm um papel determinante no conflito por meio de sua intervenção militar crucial para os diferentes protagonistas da guerra e pelo processo de negociação em Astana, que anulou os diálogos organizados pela ONU.

Paralelamente aos preparativos militares, foi registrada nos últimos dias uma intensa atividade diplomática entre Síria, Rússia e Turquia.

Segundo o jornal sírio governista Al-Watan, a cúpula receberá o resultado das conversações e as três potências "decidirão a hora zero da operação do Exército sírio, que deve, em princípio, começar imediatamente após a reunião".

A província de Idlib e os bolsões rebeldes adjacentes abrigam uma população de três milhões de habitantes, de acordo com dados da ONU.

A ofensiva poderia apontar para alguns setores periféricos de Idlib, de onde, segundo a Rússia, os rebeldes atacam com drones a base militar russa de Hmeimim, na província vizinha de Lataquia.

O alvo da ofensiva é, principalmente, os extremistas da HTS.

O ministro russo das Relações Exteriores, Sergei Lavrov, disse que estão tentando separar no terreno os "opositores armados normais dos extremistas".

- 'Banho de sangue' -

Na mesma linha, a Turquia faz "intensos esforços" para expulsar os "extremistas da região, acabar com os ataques de drones contra a base aérea russa e entregar ao regime o controle das principais estradas de Idlib", indicou o International Crisis Group (ICG).

"Quais medidas podem ser tomadas em Idlib? O que podemos fazer juntos contra os grupos terroristas?", se questionou na segunda-feira o ministro turco das Relações Exteriores, Mevlüt Cavusoglu, ao se referir às discussões com Irã e Rússia.

A ONU fez uma advertência do risco de uma crise humanitária em grande escala.

O Irã quer ajudar a expulsar os insurgentes de Idlib com a "menor quantidade possível de perdas humanas", declarou o ministro iraniano das Relações Exteriores, Mohammad Javad Zarif.

Mas o enviado da ONU para a Síria, Staffan de Mistura, exortou na terça-feira os presidentes russo e turco a "encontrarem uma solução" que evite um "banho de sangue".

As potências ocidentais favoráveis aos rebeldes advertiram sobre um possível uso de armas químicas pelo governo sírio.

"Se o presidente Bashar al-Assad decidir usar novamente armas químicas, os Estados Unidos e seus aliados responderão rápida e apropriadamente", declarou a Casa Branca em um comunicado.

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação

Publicidade