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Estado de Minas

Reino Unido identifica e pede a prisão de dois russos por envenenamento de ex-espião

O governo britânico concluiu que os indivíduos são oficiais dos serviços de Inteligência militar russos


postado em 05/09/2018 11:24 / atualizado em 05/09/2018 14:56

Ruslan Bochirov e Alexander Petrov são suspeitos de envenenar ex-espião russo(foto: afp)
Ruslan Bochirov e Alexander Petrov são suspeitos de envenenar ex-espião russo (foto: afp)

A Polícia britânica anunciou nesta quarta-feira (5) dois mandados de prisão contra dois cidadãos russos identificados como Alexander Petrov e Ruslan Bochirov, no âmbito do caso de envenenamento por Novitchok contra o ex-espião russo Serguei Skripal e sua filha, Yulia, na Inglaterra.


De acordo com a primeira-ministra Theresa May, restos do agente neurotóxico foram encontrados no hotel dos russos acusados. Ainda segundo a premiê, o ataque foi organizado pela espionagem militar russa.


"Com base em uma investigação das nossas agências de Inteligência, o governo concluiu que os dois indivíduos apontados pela Polícia são oficiais dos serviços de Inteligência militar russos, o GRU", afirmou Theresa May no Parlamento.


"Essa operação foi quase certamente aprovada fora do GRU, em um nível elevado do Estado russo", acusou May.


Os dois nomes são considerados pseudônimos, declarou o chefe da seção de antiterrorismo, Neil Basu, em entrevista coletiva.


"É possível que esses não sejam seus nomes verdadeiros", embora "tivessem passaportes russos emitidos com esses nomes", explicou Basu.


As autoridades britânicas divulgaram as fotografias dos dois suspeitos e pediram a cooperação da população para identificá-los.


"Se sabem quem são e os conhecem com outro nome, por favor, manifestem-se", pediu o chefe da Polícia.


"Estamos perguntando às pessoas no mundo todo: vocês os reconhecem?", acrescentou.


- Reação de Moscou


A Rússia reagiu nesta quarta, garantindo que não sabe quem são os dois acusados, e denunciou uma "manipulação".


"Os nomes e as fotografias publicados na imprensa não nos dizem nada", disse a porta-voz do Ministério russo das Relações Exteriores, Maria Zakharova, citada pela agência de notícias pública TASS.


Ela acusou o Reino Unido de "manipular informação" e disse que não pedirá a extradição de Petrov e de Boshirov, já que a Rússia deixou claro, em outras ocasiões, que não extradita seus cidadãos.


Em 2007, Moscou se negou a extraditar Andrei Lugovoi, principal suspeito do assassinato por envenenamento radioativo do ex-espião russo Alexander Litvinenko, em Londres.


Em nota, a Procuradoria britânica disse que há três acusações contra a dupla: conspiração para cometer assassinato, tentativa de assassinato contra os Skripal e contra um policial britânico contaminado após tê-los socorrido, além de uso e posse de Novichok.


Segundo a Polícia, ambos os suspeitos chegaram a Londres em 2 de março e, nessa mesma data, pernoitaram em um hotel da capital britânica. No dia seguinte, viajaram para Salisbury, localidade do sudoeste da Inglaterra onde Skripal morava.


"Acreditamos que contaminaram a porta de entrada" da casa do ex-espião russo, em 4 de março, acrescentou Basu.


Segundo a investigação, os suspeitos deixaram o Reino Unido ainda nesse dia.


- Crise diplomática


Skripal e sua filha foram envenenados com Novichok, no início de março em Salisbury, uma tentativa de assassinato que o governo britânico atribuiu à Rússia. Moscou nega categoricamente qualquer envolvimento.


O caso deflagrou uma grave crise diplomática entre a Rússia e os países ocidentais, a qual deu lugar a expulsões cruzadas de diplomatas.


Hospitalizados em estado crítico, Serguei e Yulia Skripal conseguiram sobreviver após permanecerem várias semanas em tratamento intensivo em um hospital.


Em 30 de junho, um casal de britânicos foi envenenado, após terem contato com o Novichok que estava em um frasco. A mulher, Dawn Sturgess, de 44 anos, faleceu, mas seu parceiro, Charlie Rowley, sobreviveu e se encontra hospitalizado em estado "grave, mas estável".


No início de agosto, os Estados Unidos anunciaram sua intenção de impor sanções econômicas à Rússia, em consequência desse caso.


Essas sanções, que entraram em vigor em 27 de agosto, afetam principalmente as exportações de alguns produtos tecnológicos, como os aparelhos eletrônicos, e a venda de armas para a Rússia. Em nome de "interesses de segurança nacional", porém, Washington excluiu da lista outros tipos de produtos, assim como tudo relacionado à cooperação espacial entre ambos os países.


Na época, um funcionário americano de alto escalão considerou que essas sanções poderiam custar "milhões de dólares" à economia russa.


O simples anúncio dessa decisão provocou a queda dos mercados financeiros russos e de sua divisa, o rublo.


A Rússia prometeu tomar medidas de represália.

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