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Estado de Minas

Pequeno dicionário da grande crise financeira de 2008


postado em 04/09/2018 17:12

"TBTF", "CDO" e "subprime" são alguns dos termos que descrevem as complexas atividades financeiras necessárias para entender o que foi a crise de 2008.

- TBTF, "Too big to fail" -

"Grandes demais para quebrar". Esta expressão anglo-saxã se refere a empresas financeiras, bancos ou seguradoras cuja quebra poderia desestabilizar outras empresas e até mesmo o conjunto da economia.

Essas companhias são caracterizadas pela importância de suas atividades transnacionais, por suas interconexões com outras instituições financeiras e pela complexidade das operações que realizam.

Durante a crise, muitos grupos sistêmicos de todo o mundo tiveram que ser resgatados pelos Estados.

- 'Subprime' -

São empréstimos hipotecários concedidos a consumidores com uma situação financeira precária, graças aos quais muitos americanos tiveram acesso à propriedade nos anos 2000.

Esses créditos costumavam ser oferecidos com taxas de juros baixas e fixas durante os primeiros anos, e depois variáveis. Também dependiam do valor dos imóveis.

Em 2007, o mercado imobiliário americano sofreu uma virada: os juros aumentaram, enquanto os preços caíram e muitos consumidores que tinham assumido esses empréstimos se viram incapazes de pagá-los. Através do fenômeno da securitização, a crise acabou contagiando todo o sistema financeiro.

- Securitização e os 'CDO' -

A securitização é uma técnica que consiste em transformar dívidas - como as hipotecas "subprime" - em títulos financeiros que podem ser vendidos nos mercados.

Para poder negociar com eles nos mercados, esses títulos são agrupados em carteiras de obrigação de dívida colateralizada (CDO, na sigla em inglês).

Quem os compra teoricamente tem a segurança de recuperar seu investimento inicial, mas também de receber os juros em forma de um cupom - contanto que todos os créditos sejam respeitados.

Esse sistema permite aos bancos não aguentarem sozinhos o risco de quebra dos mutuários. Mas o custo é um risco ainda maior caso haja problemas: a propagação da crise para todo o setor financeiro.

Quando muitos consumidores americanos não conseguiram pagar seus créditos - muito dependente dos especuladores - esses produtos financeiros despencaram, provocando um efeito em série.

- Os 'hedge funds', os fundos de cobertura -

Tratam-se de fundos muito especulativos que buscam lucros rápidos com apostas arriscadas. Não estão submetidos às mesmas obrigações de transparência de outros fundos de investimento. Essa opacidade ampliou a dificuldade para avaliar o alcance da crise das hipotecas "subprime".

Esses fundos, que possuíam grande quantidade de CDOs de alto risco quando a crise estourou, decidiram em alguns casos vender maciçamente ativos que já estavam em queda.

Eles tiveram um papel importante na crise, que começou de fato em junho de 2007 com o colapso de dois "hedge funds" administrados pelo banco de investimentos Bear Stearns.

- CDS -

Os CDS (do inglês "Credit Default Swap") são seguros contratados pelas empresas para se protegerem contra o risco de calote de um crédito ou uma dívida. Durante a crise, a seguradora AIG, que vendia esses seguros de moratória, teve grandes dificuldades quando várias empresas quebraram e teve que reembolsar os prejuízos aos compradores.

- Agências classificadoras -

As três principais são Standard and Poor's, Moody's e Fitch. Elas atribuem notas às dívidas emitidas por empresas e Estados para que os investidores possam distinguir entre as mais confiáveis e as mais arriscadas. O trabalho dessas agências de classificação foi questionado durante a crise, já que muitas davam boas notas aos CDOs, desconsiderando o risco que representavam.

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