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Estado de Minas

Turquia adverte Rússia sobre possível "catástrofe" em Idlib se houver "solução militar"


postado em 24/08/2018 14:12

A Turquia advertiu nesta sexta-feira em Moscou que intervém militarmente na Síria em apoio ao regime de Damasco, contra uma possível "catástrofe" em caso de "solução militar" em Idlib, último bastião insurgente do país.

"Uma solução militar causaria uma catástrofe não somente para a região de Idlib, mas também para o futuro da Síria. Os combates podem durar muito tempo, os civis se verão afetados", declarou o ministro das Relações Exteriores turco, Mevlüt Cavusoglu em coletiva de imprensa em Moscou, junto com seu homólogo russo Serguei Lavrov.

O regime de Damasco, do qual a Rússia é o principal aliado, quer reconquistar esta região localizada no noroeste da Síria, fronteiriça com a Turquia, controlada em 60% por Hayat Tahrir al Sham (HTS, formado por membros do ex-braço da Al-Qaeda na Síria) e que conta ainda com vários grupos rebeldes.

Esta região também faz parte das "zonas de distensão" implementadas na Síria após as negociações de paz de Astana, patrocinadas por Rússia, Turquia e Irã.

A situação em Idlib é "muito difícil" admitiu Lavrov.

"Quando foi criada uma zona de distensão em Idlib ninguém propôs utilizar esta região para que combatentes (...) se escondessem e utilizassem os civis como escudos humanos", declarou.

"Não apenas ficam lá, como há ataques e disparos permanentes vindos desta zona contra as posições do exército sírio", ressaltou o ministro russo.

Uma ofensiva do regime sírio contra esta província na fronteira turca parece iminente, mas pouco provável sem o acordo da Turquia, que apoia os rebeldes.

As negociações entre Rússia e Turquia se intensificaram nas últimas semanas e uma importante delegação turca viajou nesta sexta-feira a Moscou.

"No entanto, é muito importante que esses grupos radicais, os terroristas, sejam neutralizados. É também muito importante para a Turquia, pois eles estão do outro lado da nossa fronteira. Representam antes de tudo uma ameaça para nós", acrescentou Cavusoglu.

O regime sírio envia a essa província rebeldes e civis, após a retirada dos bastiões resgatados após violentos ataques.

- Putin recebeu Cavusoglu -

Em 9 de agosto, o exército sírio lançou folhetos pedindo para os habitantes e os combatentes da região se renderem.

Segundo especialistas, a Turquia, que já acolhe mais de três milhões de refugiados sírios e busca evitar novos fluxos migratórios, poderia negociar e eventualmente chegar a um acordo com a Rússia sobre a necessidade de eliminar os extremistas em Idlib, mas sem uma ofensiva de envergadura contra a província.

Nesse contexto, o presidente russo Vladimir Putin, recebeu na tarde no Kremlin ao chefe da diplomacia turca, assim como o ministro turco de Defesa, Hulusi Akar, e o chefe do serviço de inteligência turco, Hakan Fidan, e elogiou a cooperação "cada vez mais profunda" com a Turquia na solução de assuntos "difíceis como a crise síria".

"Graças aos esforços de nossos países, com participação de outros países interessados, especialmente do Irã (...), conseguimos avançar claramente na solução da crise síria", assegurou Putin.

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