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Estado de Minas

Detroit prepara adeus a Aretha Franklin, enquanto chovem homenagens


postado em 17/08/2018 18:00

Detroit se prepara nesta sexta-feira (17) para dar adeus à sua filha pródiga e "rainha do soul" Aretha Franklin, enquanto chovem de todo o mundo homenagens à falecida artista, cujo funeral será em 31 de agosto.

A diva, que morreu na quinta-feira aos 76 anos após lutar contra um câncer no pâncreas, influenciou várias gerações de grandes cantores com inesquecíveis sucessos como "Respect" (1967), que se tornou um hino para o movimento de direitos civis e das mulheres, "Natural Woman" (1968) e "I Say a Little Prayer" (1968).

Nesta sexta, fãs continuavam se despedindo da cantora, deixando mensagens, flores e pelúcias em frente à igreja batista de New Bethel, onde seu pai era pregador e ela começou a cantar gospel quando criança.

Dezenas de pessoas faziam fila para entrar no Museu Motown, antiga sede da Motown Record, onde grandes artistas negros gravavam suas canções. O museu difundirá a semana toda sua música pelos alto-falantes e abriu um livro de condolências.

"Tem sido incrível. É claro que estamos muito penalizados e com o coração destruído por seu falecimento, mas as pessoas estão lotando o museu", declarou à AFP a gerente-geral, Sheila Spencer.

"Ela se apresentou na festa de gala do nosso 20º aniversário e foi um show fenomenal, fenomenal. Estamos muito honrados", acrescentou.

Alguns meios de comunicação de Detroit informaram que estão organizando uma celebração de sua vida que durará quatro dias. Durante dois deles, seus fãs poderão se aproximar de seu caixão para se despedir da diva.

O funeral será realizado em 31 de agosto em Detroit, cidade natal da cantora, após dois dias de velório público, segundo informações da imprensa local, que citou fontes da família.

A cerimônia fúnebre, restrita a familiares, amigos e convidados, será celebrada no Templo Greater Grace, reportaram a emissora WDUV e o jornal Detroit Free Press.

Em 28 e 29 de agosto, os fãs poderão dar o último adeus à cantora em um velório público organizado no Museu Charls H. Wright de História Afro-americana.

Indicada ao Grammy 44 vezes e ganhadora de 18 prêmios, a artista assentou sua carreira com uma voz poderosa e diáfana que se estendia quatro oitavas, e alcançou sucessos que iam do soul e blues ao gospel, ao pop e ao jazz. Dominava todos esses gêneros.

- O poder 'unificador' da música -

"É difícil conceber um mundo sem ela. Não era apenas uma cantora única, brilhante, mas o seu compromisso com os direitos civis teve um impacto indelével no mundo", tuitou a cantora Barbra Streisand.

Fred Zilian, professor universitário de Rhode Island que está na cidade para uma reunião com seus ex-companheiros da academia de treinamento militar Westpoint, dançava com a sua esposa ao ritmo de uma canção de Aretha no Museu Motown.

"Quero estar triste porque perdemos Aretha Franklin, mas tive que ir à rua e dançar", disse à AFP, lembrando o quanto ama sua música e a dos artistas negros que gravaram em Motown nos anos 1960.

"O país estava dilacerado pela tensão nas relações raciais e para nós, você pode ver que somos todos brancos, não nos importava", disse. "É realmente uma amostra sobre o efeito unificador que a música pode ter", declarou.

Em 1987, Franklin se tornou a primeira mulher a entrar no Hall da Fama do Rock and Roll. Em 2010, a revista Rolling Stone a colocou entre os primeiros de sua lista de melhores cantores do mundo.

Cantou para vários presidentes, incluindo na posse de Barack Obama em 2009, o primeiro chefe de Estado negro da história dos Estados Unidos.

- 'Um vislumbre do divino' -

Obama e sua esposa Michelle renderam uma homenagem emocionada à artista, e disseram que ela "contribuiu para definir o que são os Estados Unidos".

"Cada vez que ela cantava, todos éramos agraciados com um vislumbre do divino", disse Obama. "Em sua voz, podíamos sentir a nossa história, toda e em cada sombra: nosso poder e nossa dor, nossa obscuridade e nossa luz, nossa busca da redenção e nosso respeito ganho com tanto esforço. Ela nos ajudou a nos sentirmos mais conectados uns com os outros, mais esperançosos, mais humanos".

O presidente americano, Donald Trump, disse que Aretha "trouxe alegria a milhões de vidas e seu extraordinário legado brilhará e inspirará muitas gerações vindouras".

Franklin, conhecida pelo seu primeiro nome, no verdadeiro estilo diva, começou cantando gospel na igreja do seu pai e nos anos 1960 e 1970 já encabeçava os rankings das músicas mais ouvidas na rádio.

Além de "Respect", seu poderoso cover da canção de Otis Redding, teve dezenas de canções que alcançaram o cobiçado "Top 40", segundo o Hall da Fama.

A cantora morou a maior parte de sua vida em Detroit, a Cidade do Motor e lar da Motown Records, a primeira companhia discográfica com um dono negro que ganhou fama nacional e ajudou a quebrar os preconceitos raciais.

Em 2005, recebeu a medalha presidencial da liberdade, a maior honra para um civil nos Estados Unidos, das mãos do então presidente George W. Bush.

Em 2010 sofreu com graves problemas de saúde, mas continuou se apresentando até o ano passado. Seu último show em público foi em novembro de 2017, em Nova York, para arrecadar fundos para a fundação de luta contra a aids de Elton John.


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