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Estado de Minas

Para ministro, políticos estão envolvidos no assassinato de Marielle


postado em 10/08/2018 21:30

O assassinato da vereadora do PSOL Marielle Franco pode ter tido motivações políticas, já que há agentes públicos e políticos que estão envolvidos no crime, disse nesta sexta-feira (10) o ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann.

"Não vou comentar nomes para não atrapalhar o andamento das investigações. Mas temos envolvimento de agentes públicos e também de políticos", disse Jungmann ao comentar este crime "complexo", que comoveu o Brasil e o mundo e leva cinco meses sem solução.

"Quando você tem o envolvimento daqueles que detêm o poder, [eles] de fato têm uma capacidade de, digamos assim, uma resiliência e uma capacidade de mobilizar defesas ou mobilizar meios de resistir. Mas não tenho a menor sombra de dúvida de que não há nada que impeça a intervenção e a equipe que lá está de denunciá-los, a todos", disse Jungmann a jornalistas.

Segundo informações publicadas na imprensa, os políticos supostamente envolvidos no assassinato de Marielle e do motorista Anderson Gomes seriam três deputados estaduais do MDB do Rio de Janeiro: Edson Albertassi, Paulo Melo e o poderoso ex-presidente da Assembleia Legislativa Jorge Picciani, todos presos por envolvimento em um esquema de corrupção no setor de transportes.

O deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL), mentor político de Marielle e impulsionador de uma investigação parlamentar que em 2008 desmascarou as poderosas milícias, confirmou ter comparecido a uma reunião com promotores na delegacia de homicídios para conversar sobre o suposto envolvimento destes três colegas.

"Não estamos acusando ninguém, isso cabe à Polícia Civil. O que nos cabe é pressionar por uma resposta. Queremos que todas as hipóteses sejam investigadas", disse Freixo em seu Facebook.

Jungmann não quis dar muitos detalhes da trama, mas afirmou que "existem várias pistas, desde disputas até a questão de ocupação de cargos".

Até agora, as autoridades declararam que as milícias parapoliciais seriam as executoras do crime porque a vereadora aparentemente teria contrariado os interesses destes grupos, que aterrorizam e extorquem os moradores das comunidades mais humildes do Rio.

Vereadora do PSOL, de 38 anos, Marielle Franco foi morta a tiros em 14 de março dentro do carro em que viajava na região central do Rio, junto com o motorista Anderson Gomes, um episódio que gerou várias manifestações em todo o país.

A política era uma firme defensora das minorias, em particular de mulheres negras e da comunidade LGBT, e uma crítica aguerrida da violência policial em comunidades como a Maré, onde ela cresceu.

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