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Estado de Minas

Huawei, o 'lobo' chinês que 'engoliu' a Apple e quer ser o líder mundial


postado em 07/08/2018 15:42

Ren Zhengfei, fundador do grupo chinês Huawei, o compara a um lobo que nunca solta sua presa. Praticamente fora dos Estados Unidos, a Huawei acaba de desbancar a Apple como número dois mundial dos smartphones, desafiando abertamente o líder planetário Samsung.

Desde 2010, o grupo californiano Apple e o sul-coreano Samsung disputam a liderança mundial no mercado de telefonia móvel.

Mas seu duelo foi alterado com a disparada da Huawei no segundo trimestre deste ano. O grupo chinês conseguiu vender 54,2 milhões de telefones, segundo o gabinete IDC.

Com essas vendas, a Huawei superou os 41,3 milhões de iPhones vendidos pela Apple, enquanto a Samsung ainda lidera com 71,5 milhões.

Praticamente isolada do decisivo mercado dos Estados Unidos, a Huawei entrou na Europa graças aos seus smartphones premium. Ele também soube adaptar a qualidade e os preços de seus telefones aos mercados de países em desenvolvimento.

"Tem havido uma melhora crescente na imagem e no reconhecimento da marca Huawei. Ela se diferencia e posiciona seus produtos em todas as faixas e preços", aponta Tarun Pathak, especialista da Counterpoint.

Depois de ter trabalhado como engenheiro no Exército chinês, Ren Zhengfei, agora com 73 anos, fundou a Huawei em 1987 com um investimento inicial de alguns milhares de dólares.

Inicialmente, ele se concentrou na tecnologia de redes de telecomunicações, para se tornar um dos principais fornecedores do mundo, reconhecido como um dos pioneiros da tecnologia 5G.

A Huawei impulsionou seu departamento de telefonia móvel em 2003, com um sucesso impressionante, primeiro na China e depois no resto da Ásia.

- Número um em 2019? -

O grupo chinês apresentou seu novo modelo P20 em março em Paris. Com este novo telefone top, espera consolidar sua posição na Europa, onde já detém 10% do mercado, enquanto as vendas da Apple e da Samsung representam cerca de 25% e 30%, respectivamente.

O truque da Huawei na Europa são os smartphones com tela grande, equipados com uma memória e capacidade sem precedentes e uma poderosa câmera de 40 megapixels, desenvolvida em conjunto com o grupo alemão Leica. Tudo por um preço bastante acessível, entre 650 e 900 euros.

Em contraste, a Huawei tem sérias dificuldades para se estabelecer nos Estados Unidos. O passado militar de seu fundador ainda gera suspeitas sobre uma possível espionagem do grupo.

Por razões de segurança nacional, o grupo chinês foi proibido de acessar projetos de infraestrutura americanos.

Após receber forte pressão do Congresso, das operadoras americanas AT&T; e Verizon e a emissora de produtos eletrônicos BestBuy se negaram a comercializar os smartphones da Huawei.

A gigante chinesa, cuja sede fica em Shenzhen, no sudeste da China, nega qualquer vínculo com o regime de Pequim.

"A exclusão dos Estados Unidos os obrigou a trabalhar ainda mais duro na Ásia e na Europa", explica Ben Stanton, especialista do gabinete Canalys.

Com estratégias diferenciadas, a Huawei se expandiu nos mercados da Indonésia, da Arábia Saudita e da África com Sul, graças a seus modelos avançados, mas com preços acessíveis.

Contudo, sua presença escassa no mercado americano poderia piorar as perspectivas de crescimento do gigante chinês a longo prazo.

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