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Estado de Minas

Trump adverte países contra negócios com Irã após sanções


postado em 07/08/2018 10:30

O presidente americano Donald Trump advertiu os países contra fazer negócios com o Irã após o restabelecimento nesta terça-feira de sanções que chamou de "as mais duras" já aplicadas, enquanto os iranianos expressam revolta e temor pelas consequências.

No Irã, as críticas são gerais ao retorno das sanções dos Estados Unidos, decididas após a saída unilateral em maio de Washington do acordo nuclear iraniano assinado em 2015 com as grandes potências.

O presidente iraniano, Hassan Rohani, acusou Washington de "querer lançar uma guerra psicológica contra a nação iraniana e provocar divergências" entre os cidadãos do país.

As medidas americanas também provocaram indignação entre os europeus, signatários do acordo, que afirmaram estar "decididos a proteger os operadores econômicos europeus que participam em negócios legítimos com o Irã", segundo um comunicado da União Europeia (UE).

Apesar da declaração da UE, o grupo alemão Daimler anunciou nesta terça-feira a interrupção de suas atividades no Irã.

Suspendemos nossas atividades no Irã com a aplicação das sanções", afirmou à AFP o porta-voz da montadora, que pretendia fabricar e vender caminhões da marca Mercedes no mercado iraniano.

A Rússia afirmou que está "profundamente decepcionada" com as sanções dos Estados Unidos ao Irã, enquanto a Síria chamou a medida como "ilegal do ponto de vista do direito internacional".

"As sanções do Irã já foram lançadas oficialmente. Essas são as sanções mais duras já impostas e, em novembro, aumentam para outro nível", tuitou o presidente americano nesta terça-feira.

"Quem quer que faça negócios com o Irã NÃO fará com os Estados Unidos. Estou pedindo a PAZ MUNDIAL, nada mais", completou.

A primeira rodada de sanções americana, que entrou em vigor nesta terça-feira às 00H01 de Washington (01H01 de Brasília), inclui bloqueios às transações financeiras e às importações de matérias-primas, além de medidas para impedir as compras no setor automotivo e na aviação comercial.

As medidas provavelmente terão graves consequências para a economia iraniana, já castigada por uma elevada taxa de desemprego e pela inflação. A moeda do país, o rial, perdeu quase metade de seu valor desde que Trump anunciou sua decisão.

"Sinto que estão destruindo a minha vida. A situação econômica agora significa que a classe trabalhadora tem que morrer", afirmou à AFP Ali Paphi, um operário da construção civil.

- "Tragar o veneno" -

Muitos iranianos não expressam sua irritação com os Estados Unidos, hostilidade com a qual convivem há quatro décadas, e sim contra seus próprios líderes, no momento em que muitos têm economias em dólares e planejam os dias de crise.

"Os preços aumentaram nos últimos três ou quatro meses e tudo que precisamos ficou mais caro, mesmo antes das sanções", lamentou Yasaman, um fotógrafo de 31 anos de Teerã.

Assim como Yasaman, muitas pessoas no Irã acreditam que os dirigentes do país serão obrigados a voltar à mesa de negociações.

A maioria acredita que no final os políticos terão que 'tragar o veneno' e negociar com os Estados Unidos, país com o qual Teerã não tem relações diplomáticas desde 1980.

Horas antes da entrada em vigor das sanções, o presidente americano voltou a usar palavras duras a respeito do Irã, ao mesmo tempo que fez um apelo à negociação.

"O regime iraniano tem uma opção, afirmou o presidente americano. "Pode mudar sua atitude ameaçadora e desestabilizadora e se reintegrar à economia mundial ou pode continuar na rota do isolamento econômico".

"Continuo aberto a alcançar um acordo mais amplo que aborde toda a gama de atividades malignas do regime, incluindo seu programa de mísseis balísticos e seu apoio ao terrorismo", completou.

Mas o presidente Rohani rejeitou o convite a novas negociações após o retorno das sanções.

Em novembro, uma segunda fase de sanções se concentrará no setor de petróleo e gás, assim como no Banco Central.

- "Retirar a faca" -

Trump, que adotou uma atitude muito hostil a respeito do Irã desde que chegou ao poder, quer intensificar a pressão sobre Teerã para que mude de comportamento.

O ministro iraniano das Relações Exteriores, Mohamad Javad Zarif, afirmou ser difícil imaginar uma renegociação do programa nuclear iraniano alcançado em 2015, após anos de negociações entre o Irã e as potências ocidentais (EUA, Reino Unido, França e Alemanha, além de Rússia e China).

"Se você é um inimigo e enfia uma faca em alguém e em seguida diz que quer negociar, a primeira coisa a fazer é tirar a faca", disse o presidente Rohani.

Também afirmou que seu pais "sempre esteve aberto às negociações.

Rohani abrandou as regras cambiais no domingo, permitindo a importação ilimitada de moeda estrangeira e ouro livres de impostos, assim como a reabertura de casas de câmbio após uma tentativa fracassada de fixar o valor do rial em abril, o que provocou uma grande movimentação no mercado negro.

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