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Estado de Minas

PT lança candidatura de Lula e promete tirá-lo da prisão


postado em 04/08/2018 16:06

O Partido dos Trabalhadores (PT) lançou neste sábado (4) oficialmente a candidatura de seu líder preso, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, às eleições presidenciais de outubro, e prometeu tirá-lo da prisão, onde cumpre pena de 12 anos e um mês.

Preso em Curitiba, no Paraná, Lula mandou uma carta à convenção do PT em São Paulo, na qual alertou: "Hoje a democracia está ameaçada. Agora temos uma eleição de cartas marcadas e exclui o nome que está a frente nas pesquisas. Querem inventar uma democracia sem povo".

A candidatura de Lula "é a ação mais confrontadora que fazemos contra esse sistema podre por parte da Justiça", declarou na convenção partidária em São Paulo a presidente do PT, Gleisi Hoffmann, depois que quase 2.000 delegados aprovaram a designação de Lula, favorito nas pesquisas.

"Vamos seguir nessa caminhada, (...) vamos tirar Lula da prisão", prometeu a senadora.

Lula cumpre pena desde 7 de abril por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. A condenação foi confirmada em segunda instância pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4), o que deveria inabilitá-lo a disputar uma eleição, devido à Lei da Ficha Limpa, promulgada por ele próprio no último ano de seu mandato.

- Alckmin defende 'reforma do Estado' -

Além do PT, que celebra sua convenção em São Paulo, outros dois fortes candidatos lançaram-se na disputa para as eleições de 7 de outubro, com eventual segundo turno no dia 28 do mesmo mês: o ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin, do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), e ambientalista Marina Silva, do partido Rede Sustentabilidade.

Alckmin, de 65 anos, foi recebido no Centro Internacional de Convenções de Brasília por quase mil simpatizantes aos gritos de "Brasil pra frente, Geraldo presidente". Entre os presentes na convenção estava o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (1995-2002).

Sua candidatura foi recentemente apoiada por uma ampla coalizão de partidos de direita e de centro-direita, o chamado "Centrão", que lhe dará mais recursos de campanha e mais tempo de propaganda televisiva do que a maioria de seus rivais.

Como companheira de chapa, Alckmin escolheu a senadora gaúcha Ana Amélia (PP), em uma tentativa de recuperar votos dos conservadores na região sul, onde o deputado de extrema-direita Jair Bolsonaro, que lidera as pesquisas quando o nome de Lula não aparece na lista, tem forte presença.

Alckmin culpou a crise econômica e política dos últimos anos aos esforços do PT, sem mencionar o governo conservador de Michel Temer.

"A herança trágica que o governo petista nos deixou: 13 milhões de brasileiros e brasileiras atirados no desemprego. Debilitaram a crença do povo na política", declarou Alckmin.

O candidato promete reduzir o tamanho do Estado para cobrir os déficits e reforçar o fraco crescimento econômico do Brasil, que deixou dois anos de recessão em 2017.

O objetivo dessa promessa é disputar votos com o ex-ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, candidato do MDB de Temer, que defende cortes extremos.

"Sem a reforma do Estado, não há volta do crescimento", afirmou.

- Marina Silva contra o 'ódio' -

Marina Silva, de 60 anos, se apresentou na convenção do Rede Sustentabilidade, em Brasília, como a candidata capaz de superar a polarização que divide o país.

"Face ao ódio, a união", afirmou a ex-ministra do Meio Ambiente de Lula, terceira colocada nas eleições de 2010 e 2014.

Marina Silva escolheu como candidato a vice-presidente o ex-deputado Eduardo Jorge, do Partido Verde, que disputou a Presidência em 2014, quando recebeu menos de 1% dos votos.

Ela se defendeu de possíveis interferências da religião evangélica na política.

"Não existe uma prática política minha (...) que ateste contra o Estado laico, que ateste contra o direito das pessoas de meu país", declarou.

Todos os candidatos terão que lidar com a popularidade de Jair Bolsonaro, ex-capitão do Exército que nega a ditadura militar e capitaliza a indignação do eleitorado pelos escândalos de corrupção e a violência galopante

A polarização dos candidatos caminha com a apatia e a desorientação do eleitorado.

Duas pesquisas recentes mostram que de 33% a 41% dos eleitores estão tentados a se abster de votar. Se Lula for candidato, esse percentual diminui, mas continua abrangendo um quarto do colégio eleitoral.

Em todo caso, tudo parece indicar que, pela oitava vez consecutiva, Lula será uma figura-chave na corrida presidencial.

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