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Estado de Minas

Opositores se apresentam à Justiça por violência após eleições no Zimbábue


postado em 04/08/2018 14:12

Vinte e quatro opositores se apresentaram à Justiça neste sábado (4) em Harare acusados de estar relacionados com a violência desatada após as eleições que deram a vitória a Emmerson Mnangagwa, que fez um chamado à calma para virar a página da era Mugabe.

Mnangagwa ganhou por uma margem estreita (50,8%) as eleições presidenciais de segunda-feira, as primeiras após a queda de Robert Mugabe, derrubado em novembro depois de quase quatro décadas no poder.

O partido no poder desde a independência em 1980, em ZANU-PF, designou então o ex-vice-presidente de Mugabe para suceder o líder histórico do país.

Após a euforia da sessão eleitoral, que transcorreu sem incidentes, a situação se agravou na quarta-feira quando a polícia e o exército reprimiram uma manifestação da oposição, causando pelo menos seis mortos.

No dia seguinte, a polícia fez operações de busca e apreensão nas sedes do opositor Movimento para a Mudança Democrático (MDC), e 21 pessoas foram presas e acusadas de violência na via pública, segundo a Associação de Advogados do Zimbábue para os Direitos Humanos.

Neste sábado, 24 pessoas, oito delas mulheres, compareceram diante de um tribunal de Harare.

Um magistrado disse, diante de uma sala abarrotada, que o tribunal estava "oprimido" e que decidiria na segunda-feira uma possível liberação condicional dos acusados.

"Não é justo. O tribunal diz que não tem tempo para tomar uma decisão (sobre a liberdade condicional), mas outro tribunal teve para os partidários da ZANU-PF, que nos atacou", reagiu Gideon Pate, militante do MDC. "Sabem que (os acusados) são inocentes, mas só querem nos punir e nos deixar com medo".

Para o advogado de defesa, Denford Halimani, trata-se de uma "armadilha oportunista" contra a oposição.

- 'Medo de sair' -

A tranquilidade reinava na capital neste sábado, mas nos arredores a tensão podia ser sentida.

Em Chitungwiza, ao sul de Harare, "os soldados atacaram as pessoas ontem (sexta-feira) à noite", contou Christine, vendedora, que viu os incidentes. "Não tinham feito nada. Os soldados continuam aqui, temos medo de sair", garantiu.

Um jornalista da NewsDay ficou preso durante várias horas neste sábado para não cumprir as operações da polícia em Kuwadzana, a oeste da capital, segundo o instituto de defesa da imprensa Misa.

Também neste sábado foram enterradas várias vítimas da repressão.

Na véspera, Emmerson Mnangagwa, de 75 anos, quis tranquilizar a população, frente à oposição que denuncia uma fraude eleitoral.

As eleições foram um "ponto de partida" para "construir um novo Zimbábue para todos", declarou o presidente eleito, pedindo unidade.

Ele também prometeu uma investigação independente sobre a violência desta quarta-feira e criticou a dura intervenção da polícia na sexta-feira, que provocou atrasos em uma coletiva de imprensa da oposição.

Este tipo de comportamento da polícia "não tem espaço em nossa sociedade", afirmou.

Mnangagwa defendeu a legitimidade das eleições, garantindo que foram "livres, justas e verificáveis".

O discurso de Mnangagwa não convenceu, contudo, o líder da oposição, Nelson Chamisa, que neste sábado voltou a denunciar fraudes.

"Ganhamos, mas declararam o contrário. Vocês votaram e eles fizeram uma armadilha", escreveu no Twitter.

O MDC decidiu recorrer à via legal para denunciar os resultados.

Quando o recurso for oficializado, a Justiça terá 14 dias para se pronunciar. O vencedor será investido presidente nas 48 horas seguintes.

Embora tenha lamentado a violência que marcou os dias seguintes às eleições, Washington pediu nesta sexta-feira que o vencedor mostre "grandeza" e a oposição "deferência na derrota".

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