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Estado de Minas

PT lança candidatura de Lula, encarcerado, à Presidência


postado em 04/08/2018 14:00

O Partido dos Trabalhadores (PT) lançou neste sábado (4) oficialmente a candidatura de seu líder preso, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, às eleições presidenciais de outubro, uma aposta improvável que confirma, no entanto, o papel central do ex-presidente na política nacional.

"Não existe política no Brasil sem falar de Lula e sem falar do PT", declarou na convenção partidária em São Paulo a presidente do PT, Gleisi Hoffmann, depois que quase 2.000 delegados aprovaram a designação de Lula, favorito nas pesquisas, apesar de estar preso para cumprir uma condenação de 12 anos e um mês por corrupção.

Além do PT, que celebra sua convenção em São Paulo, outros dois fortes candidatos lançaram suas candidaturas às eleições de 7 de outubro, com eventual segundo turno no dia 28 do mesmo mês: o ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin, do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), e ambientalista Marina Silva, do partido Rede Sustentabilidade.

Alckmin, de 65 anos, foi recebido no Centro Internacional de Convenções de Brasília por quase mil simpatizantes aos gritos de "Brasil pra frente, Geraldo presidente". Sua candidatura foi aprovada por 288 dos 290 delegados do partido. Entre os presentes na convenção estava o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (1995-2002).

Como companheira de chapa, Alckmin escolheu a senadora Ana Amélia, em uma tentativa de recuperar votos dos conservadores na região sul, onde o deputado de extrema-direita Jair Bolsonaro, que lidera as pesquisas quando o nome de Lula não aparece na lista, tem forte presença.

Esta será a segunda candidatura de Alckmin ao Palácio do Planalto, depois da derrota no segundo turno de 2006 para Lula.

Também em Brasília, a Rede Sustentabilidade lançou a candidatura de Marina Silva, que foi ministra do Meio Ambiente de Lula e ficou em terceiro lugar nas eleições de 2010 e 2014.

Marina Silva escolheu como candidato a vice-presidente o ex-deputado Eduardo Jorge, do Partido Verde, que disputou a presidência em 2014, quando recebeu menos de 1% dos votos

- Lula e seu quartel-general na prisão -

Mas de fato, novamente - embora desta vez de dentro da prisão em Curitiba -, Lula (2003-2010) aparece como figura central da campanha e mantém 30% de intenções de voto nas pesquisas.

Em São Paulo, quase 2.000 delegados e militantes participaram da convenção do PT, que se recusa a mencionar qualquer alternativa à candidatura do ex-presidente, que muito provavelmente será impugnada pela Justiça eleitoral.

"Ele é o único candidato que pode atender nossas demandas. Não ha plano B. A situação é imprevisível, a gente não prevê o que vai acontecer, mas jogar a bandeira, procurar alternativas é aceitar o golpe, eles acharam que o golpe ia fechar com Lula preso, que o povo ia abandonar o Lula, mas aconteceu o contrário", declarou à AFP Paulo Henrique Barbosa Mateus, um desempregado de 27 anos presente na convenção na Casa de Portugal.

O PT chama de "golpe" o impeachment, em 2016, da presidente Dilma Rousseff, que foi substituída por seu vice-presidente, Michel Temer. E considera que a prisão de Lula coroa o movimento que pretende tirar do caminho o partido que venceu as últimas quatro eleições presidenciais.

Lula cumpre desde 7 de abril uma pena de 12 anos e um mês de prisão por corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

A condenação foi confirmada em segunda instância pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4), o que deveria inabilitá-lo a disputar uma eleição, devido à Lei da Ficha Limpa, promulgada por ele próprio no último ano de seu mandato.

Mas à espera do que a Justiça eleitoral vai determinar (provavelmente na segunda quinzena de agosto), nada impediu o PT de proclamá-lo candidato, atraindo ainda mais visibilidade sobre estas, que se anunciam como as eleições mais incertas desde a volta da democracia em 1985.

Até o momento, Lula não escolheu o nome de seu eventual vice-presidente, o que provoca todo tipo de especulações.

Um dos nomes mais citado é o do ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad, que integra a equipe de defesa do ex-presidente, o que permite seu livre acesso ao líder na prisão.

- Eleitorado indignado -

Bolsonaro, que capitaliza a indignação do eleitorado pelos escândalos de corrupção e a violência galopante, tampouco definiu seu companheiro de chapa. O astronauta Marcos Pontes, o príncipe Luiz Philippe de Orleans e Bragança, o general da reserva Augusto Heleno foram alguns dos nomes aventados nos últimos dias. A advogada Janaína Paschoal, coautora do processo de impeachment de Dilma Rousseff, anunciou que não aceitou o convite.

De qualquer forma, todos os candidatos terão que lidar com a indignação e a apatia do eleitorado.

Duas pesquisas recentes mostram que de 33% a 41% dos eleitores estão tentados a se abster de votar. Se Lula for candidato, esse percentual diminui, mas continua abrangendo um quarto do colégio eleitoral.

Em todo caso, tudo parece indicar que, pela oitava vez consecutiva, Lula será uma figura-chave na corrida presidencial.

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