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Estado de Minas

Washington aumenta pressão comercial sobre Pequim, e China alerta para 'chantagem'


postado em 02/08/2018 14:06

A China denunciou, nesta quinta-feira (2) "uma chantagem" americana, após a ameaça do governo de Donald Trump de taxar ainda mais produtos chineses para "encorajar" Pequim a interromper práticas comerciais "desleais", em um contexto em que as discussões entre as duas potências estão em ponto morto.

"Nessa semana, o presidente (Trump) me encarregou de considerar a possibilidade de elevar as tarifas aduaneiras de 10% para 25%", sobre 200 bilhões de dólares de importações chinesas, anunciou nesta quarta o representante comercial americano (USTR), Robert Lighthizer.

Para ele, essa é "uma opção adicional para encorajar a China a mudar sua política e seu comportamento prejudiciais" e "dar fim às suas práticas desleais", afirmou Lighthizer.

A Casa Branca acusa Pequim de práticas comerciais injustas, bem como de roubo de propriedade intelectual americana e quer que a China reduza em 200 bilhões de dólares seu superávit comercial com os Estados Unidos.

"Infelizmente, em vez de mudar seu comportamento ruim, a China retaliou ilegalmente os trabalhadores, agricultores e empresas americanos", afirmou Lighthizer em nota, referindo-se às tarifas chinesas sobre 34 bilhões de dólares de produtos dos Estados Unidos.

Reiterando sua abertura a um diálogo "baseado no respeito mútuo", a China reagiu rapidamente nesta quinta, pedindo para os Estados Unidos "retomarem a razão".

"Nós pedimos que os americanos tenham uma atitude decente e não tentem qualquer chantagem. Isso não funciona com a China", declarou o porta-voz da diplomacia chinesa, Geng Shuang, criticando pressões "contraproducentes".

Já o ministro chinês do Comércio alertou, nesta quinta, que Pequim "está plenamente preparada para adotar", se necessário, "contramedidas para proteger a dignidade do país e os interesses de seu povo, defendendo "o multilateralismo internacional".

"Esperamos que os tomadores de decisões de política comercial dos Estados Unidos tenham a cabeça fria e escutem os consumidores americanos (...) e também a comunidade internacional", alertou também o ministro chinês das Relações Exteriores, Wang Yi.

Wang está em Singapura para um encontro de chanceleres e disse que a disputa não afetará a cooperação diplomática com Washington na Coreia do Norte.

- Encurralado? -

Funcionários da Casa Branca minimizaram especulações de que o objetivo deste movimento é compensar a fraqueza da moeda chinesa. O dólar tem ganhado força desde abril, conforme o Banco Central americano aumenta a taxa de juros, atraindo investidores em busca de retornos seguros.

Trump ameaçou impor tarifas sobre praticamente todas as exportações da China para os Estados Unidos.

Funcionários disseram estar em contato constante com seus colegas chineses, mas não tinham reuniões marcadas.

Os Estados Unidos já impuseram tarifas de 25% sobre 34 bilhões de dólares em produtos chineses, e outros 16 bilhões serão alvo nas próximas semanas.

Em 10 de julho, Washington divulgou uma lista de outros 200 bilhões de dólares em produtos chineses, de áreas tão variadas quanto maquinário elétrico, artigos de couro e frutos do mar, que seriam afetados por tarifas de importação de 10%.

Aumentá-las para 25% pode tornar a situação muito mais difícil para o lado chinês.

Jake Colvin, vice-presidente do Conselho Nacional de Comércio Exterior, disse que o governo Trump poderia estar se encurralando.

"É difícil ver como essa ação auxilia uma solução para o que é uma crise comercial crescente", disse à AFP.

Trump e altos funcionários do governo acreditam que o volume de importações dos Estados Unidos e a saúde vigorosa da economia americana dão a Washington uma vantagem no atual confronto.

Mas o diretor fundador do Instituto Peterson de Economia Internacional, Fred Bergsten, disse à CNBC que a China seria capaz de absorver esses golpes com mais facilidade do que Washington.

"Eles podem expandir seus estímulos, gastos fiscais, empréstimos bancários", disse ele. "Podem compensar muito melhor do que nós podemos. Eles vêm de uma base muito maior", completou.

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