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Estado de Minas

Ex-funcionários e empresários depõem em caso sobre suborno na Argentina


postado em 02/08/2018 13:54

A Justiça argentina começou nesta quinta-feira (2) a ouvir os testemunhos dos 12 detidos por suspeitas de suborno, envolvendo ex-funcionários e empresários, que atingem a ex-presidente Cristina Kirchner e uma empresa ligada à família do presidente Mauricio Macri.

A Justiça analisa o conteúdo de oito cadernos escolares, nos quais o motorista de um ex-funcionário teria registrado o que seriam retiradas e entregas de dinheiro entre 2005 e 2015, anos dos governos do já falecido Néstor Kirchner (2003-2007) e de sua mulher, Cristina Kirchner (2007-2015).

O motorista Oscar Centeno está entre os processados. Nesta quinta, ele depôs diante do juiz Claudio Bonadío em um caso que corre sob segredo de Justiça.

Fontes judiciais citadas pela imprensa disseram que ele optou por se declarar na qualidade de arrependido.

Segundo o Ministério Público, teriam sido movimentados "cerca de 160 milhões de dólares em espécie" em sacolas, provenientes de propina que os empresários entregavam em troca da vitória na licitação de obras públicas.

Os cadernos que deram origem ao processo foram entregues por uma fonte não revelada a um repórter do jornal "La Nación" que os encaminhou para a Justiça.

A ex-presidente e atualmente senadora Cristina Kirchner foi convocada a depor no próximo dia 13 de agosto pelo juiz Bonadío, mas ainda não foi informado se na qualidade de testemunha, ou de acusada.

Sua residência na capital federal consta das anotações do motorista.

A Justiça investiga sob a hipótese de formação criminosa em um caso, no qual são esperadas novas prisões.

As detenções realizadas na madrugada de quarta-feira incluem Roberto Baratta, ex-secretário de coordenação do extinto Ministério do Planejamento Federal.

Também foram detidos os empresários Gerardo Ferreyra, da construtora Electroingeniería, e Javier Sánchez Caballero, ex-gerente-geral da IECSA, a construtora que pertencia a Ángelo Calcaterra, primo do presidente Macri, do grupo Socma (Sociedad Macri).

"Nunca paguei propina. Isso é um circo midiático", defendeu-se Ferreyra nesta quinta-feira, quando foi levado algemado para prestar declaração diante do juiz.

Outro detido à disposição da Justiça é o ex-subsecretário legal de Planejamento Federal, Rafael Llorens, e o ex-presidente da Câmara Argentina da Construção, o empresário Carlos Wagner.

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