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Estado de Minas

Fed mantém taxas de juros nos EUA, mas sinaliza próxima alta


postado em 01/08/2018 17:36

O Federal Reserve (Fed, o Banco Central americano) manteve, nesta quarta-feira (1), as taxas de juros atuais - entre 1,75% e 2% - mas destacou a solidez da economia dos Estados Unidos e sinalizou a possibilidade de uma nova alta do custo do crédito.

O mercado financeiro já espera um aumento das taxas em setembro, mas a decisão do Fed também fortalece a possibilidade de uma quarta alta em dezembro.

Os economistas analisam cada palavra dos pronunciamentos do Fed em busca de sinais sobre seus próximos passos, especialmente num contexto em que os Estados Unidos têm um forte crescimento econômico, baixo desemprego e elevada criação de postos de trabalho.

Os sinais de que o Fed manterá seu caminho de aumentos graduais dos juros certamente não agradaram o presidente Donald Trump, que considera que essa política monetária fortalece o dólar e atrapalha seu objetivo de estimular a economia.

Em seu comunicado após dois dias de análise, o Comitê Monetário do Fed (FOMC) considerou, contudo, que a atividade "avança em ritmo forte" e apontou que o consumo - motor da economia americana - "aumentou solidamente".

Essas duas mudanças semânticas em relação ao comunicado de sua reunião de junho, que já apontava para um panorama otimista, devem ser interpretados pelos mercados como sinais de um aumento dos juros na reunião do FOMC prevista para 26 de setembro.

O Fed repetiu que espera que "futuras altas progressivas" das taxas acompanharão "uma expansão sustentada da atividade econômica".

O comunicado não menciona eventuais prejuízos provocados pelos conflitos comerciais internacionais e insiste que os riscos estão "equilibrados".

O crescimento do PIB americano alcançou uma taxa de 4,1% no segundo trimestre pela primeira vez em quatro anos, em consequência dos cortes de impostos estabelecidos por Trump em dezembro para estimular a economia.

A taxa de desemprego, que se mantém "baixa", segundo o Fed, em 4%, pode cair a 3,9% em junho, apontam analistas. Os dados oficiais serão divulgados nesta sexta-feira.

O Fed comemorou que a inflação se mantenha "em torno" de sua meta de 2%. O índice inflacionário PCE, preferido pela entidade, mostrou que, em ritmo anualizado, os preços subiram 2,2% em junho e em maio.

- Aumento considerado certo -

As altas graduais dos juros são consistentes com o plano de manter o crescimento da economia e do mercado de trabalho, enquanto a inflação se mantém em torno da meta de 2% a médio prazo, segundo o comunicado.

"Se alguém tinha dúvidas sobre um aumento de taxas em setembro, pode se despedir delas", afirmou o economista Joel Naroff em nota.

"Dada a avaliação do Fed sobre o atual e o futuro crescimento, são prováveis os aumentos de juros em setembro e dezembro e possivelmente mais quatro altas no ano que vem, a menos que a economia se desacelere abruptamente", disse.

A consultoria RDQ Economics observou que o Fed elevou o tom diante dos recentes dados econômicos, mas disse que não alterou sua visão de futuro.

Após o comunicado do Fed, os bônus do Tesouro americano a 10 anos chegaram a um rendimento de 3%.

"Com a baixa taxa de desemprego, a inflação perto da meta, mas com uma política ainda complacente, continuamos esperando outras duas altas neste ano", disse a RDQ Economics.

Wall Street não gostou do comunicado: assim que foi divulgado, o índice Dow Jones recuou e fechou com queda de 0,3%.

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