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Estado de Minas

Londres busca apoios individuais europeus para evitar saída caótica


postado em 01/08/2018 13:06

O governo britânico multiplicou os alertas sobre os riscos de uma saída da União Europeia (UE) sem acordo, e essa medida intensificou as negociações com seus sócios europeus, em vez de com Bruxelas.

O ministro britânico das Relações Exteriores, Jeremy Hunt, visitou Paris na terça-feira e foi a Viena na quarta-feira, onde avisou que "há um risco real de divórcio desordenado, o que constituiria um erro geoestratégico".

A viagem é parte de uma ofensiva, à qual a primeira-ministra Theresa May se unirá na sexta-feira, em visita ao presidente francês, Emmanuel Macron, em seu retiro de verão no Mediterrâneo.

Ela vai tentar vender as vantagens de seu plano de manter relações comerciais próximas da UE após o Brexit.

Essa solução inédita e intermediária indignou os eurocéticos britânicos, que classificaram-na como "vassalagem" - porque o Reino Unido deixaria de tomar decisões, mas continuaria submetido às regulações europeias -, mas agradou aos meios econômicos.

Contudo, o principal negociador europeu, o representante da Comissão Europeia Michel Barnier, mostrou-se cético diante do plano e rejeitou um de seus elementos-chave, ligado às tarifas na fronteira com a Irlanda.

Londres espera encontrar mais flexibilidade nas capitais e insiste nos perigos de uma saída desordenada em março.

"A possibilidade de que não haja acordo aumentará a cada dia até que vejamos uma mudança de estratégia da Comissão Europeia", disse Hunt ao jornal londrino "Evening Standard" em entrevista publicada na terça-feira.

"França e Alemanha devem enviar um sinal claro à Comissão de que é preciso negociar uma saída pragmática e razoável que proteja empregos dos dois lados do Canal da Mancha", acrescentou.

"Pada cada emprego perdido no Reino Unido, também serão perdidos na Europa, se o Brexit der errado", acrescentou Hunt.

- França e a coesão da UE -

O plano de May provocou a renúncia de dois ministros eurocéticos - Boris Johnson e David Davis -, mas a primeira-ministra sustentou-o e já o defendeu diante da chanceler alemã, Angela Merkel, e dos líderes da Áustria e da República Tcheca.

Sobre seu encontro com Macron, na sexta-feira, na residência de Bregançon - é a primeira vez que um líder estrangeiro visita o local -, uma fonte do governo disse ao jornal "The Times" que Paris não parecia hostil ao plano de May.

A França parece até agora ter adotado uma linha particularmente dura nas negociações do Brexit, sobretudo, no setor de finanças, e nunca escondeu que gostaria que os serviços financeiros da City migrassem para Paris.

Londres também acha que é a França quem mais se opõe à manutenção do país no sistema de navegação por satélite Galileo.

Apesar de toda a atividade diplomática, a ministra austríaca das Relações Exteriores, Karin Kneissl, alertou nesta quarta, após se reunir com Hunt, para as tentativas de dividir os sócios europeus, entre os quais há "um alto grau de coesão", afirmou.

Kneissl, cujo país ocupa a presidência rotativa da UE, acrescentou que está "muito claro" que a Comissão Europeia - o Executivo comunitário - é quem lidera as negociações.

Barnier também afirmou, na semana passada, que não há "a menor diferença" entre ele e os 27 líderes da UE nas negociações.

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