Jornal Estado de Minas

Pompeo pede para ONU manter sanções para pressionar Coreia do Norte

O secretário de Estado americano, Mike Pompeo, se reuniu nesta sexta-feira (20) com o Conselho de Segurança da ONU e pediu para o grupo manter a pressão sobre a Coreia do Norte para conseguir a desnuclearização.

"Uma estrita aplicação das sanções é crucial", insistiu Pompeo após um encontro com o conselho de segurança do organismo e seu secretário-geral, António Guterres. Pompeo também exigiu que "detenham as transferências ilegais" de petróleo, que, segundo ele, permitem que Pyongyang burle as cotas de importação impostas pela ONU.

Pompeo acredita que Pyongyang pode superar seu status de "pária" internacional, mas para chegar a esse ponto é imprescindível que as sanções impostas sejam cumpridas.

Em 2017, o Conselho de Segurança aprovou três pacotes de sanções econômicas contra a Coreia do Norte, incluindo a proibição a membros da ONU de comprar carvão, ferro e aço a Pyongyang. Os produtos derivados do petróleo que podia adquirir também estavam muito limitados.

Em seu primeiro encontro com o Conselho desde a cúpula entre Donald Trump e Kim Jong Un, Pompeo deveria fornecer detalhes sobre os esforços dos Estados Unidos para que a Coreia do Norte abandone seus programas nuclear e balístico e convencê-los de que manter as sanções é crucial neste sentido.

Após a cúpula entre os líderes dos Estados Unidos e da Coreia do Norte em Cingapura em meados de junho, Trump garantiu que Kim concordou em desnuclearizar a península, mas não foram dados detalhes específicos do acordo.

Após Pompeo viajar a Pyongyang neste mês para tratar do assunto, a Coreia do Norte se queixou das exigências americanas para alcançar uma rápida desnuclearização.

- Rússia e China optam por esperar -

A China e a Rússia argumentam que os esforços da Coreia do Norte, após ter se reunido com Trump e interrompido os testes de mísseis, devem ser reconhecidos através da suavização das medidas econômicas contra ela.

Os diálogos de Pompeo com o Conselho em Nova York, do qual também participaram a chanceler sul-coreana Kang Kyung-wha e o embaixador japonês na ONU Koro Bessho, acontecem depois de Rússia e China decidirem esperar seis meses antes de aplicar um corte nas entregas de petróleo refinado à Coreia do Norte, como foi pedido pelos Estados Unidos.

Na quinta-feira, não foi à frente na ONU a proposta dos Estados Unidos de proibir o envio de produtos derivados do petróleo à Coreia do Norte neste ano.

Argumentou-se que é preciso mais tempo para avaliar se a Coreia do Norte está efetivamente burlando as sanções, como assegura Washington.

"Esperamos que os países mais importantes no Conselho de Segurança, apoiados em evidência sólida, decidam se podemos enviar petróleo" à Coreia do Norte, disse o Ministério das Relações Exteriores chinês, Hua Chunying.

A embaixadora dos Estados Unidos na ONU, Nikki Haley, lamentou essa postura e assegurou que seu país já havia apresentado provas suficientes de que a Coreia do Norte está violando as cotas de importação através das transferências de petróleo em mar aberto.

Uma resolução da ONU aprovada o ano passado fixa em 4 milhões de barris anuais a quantidade de petróleo bruto que a Coreia do Norte pode importar, além dos 500.000 barris de produtos refinados.

Na semana passada, os Estados Unidos entregaram um relatório ao comitê de sanções da ONU, onde afirma que a Coreia do Norte assegurou ter recebido pelo menos 759.793 barris de produtos refinados graças a transferências realizadas em mar aberto.

O Conselho de Segurança foi informado sobre uma possível visita do presidente sul-coreano a Pyongyang no próximo trimestre.

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