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Estado de Minas

Crescimento dos EUA vai acelerar, mas inflação pode surpreender, prevê FMI


postado em 14/06/2018 17:48

O crescimento da economia dos Estados Unidos irá acelerar, sustentado pelo estímulo orçamentário do governo Trump, de acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI). Mas a entidade alertou para a inflação, que pode surpreender, e o potencial impacto das medidas protecionistas, nesta quinta-feira (14).

Em seu exame anual da maior economia do mundo, o Fundo confirma uma projeção de crescimento de 2,9% neste ano e de 2,7% em 2019, o que marcará "o período mais longo de expansão" da história dos Estados Unidos.

O FMI alerta, contudo, para o risco "maior de uma inflação surpreendente" e do potencial impacto negativo das tarifas de importação.

Entre as boas notícias, o Fundo destacou que a maioria das economias do mundo poderão se beneficiar, no curto prazo, da expansão da economia americana.

O FMI destacou particularmente que os Estados Unidos parecem se aproximar do pleno emprego, já que atualmente o nível de desemprego está em 3,8%, seu nível mais baixo desde a década de 1960.

- Guerra comercial deixa apenas derrotados -

Contudo, o FMI alertou que existem preocupações claras com as consequências de uma eventual guerra comercial generalizada, e que essas preocupações crescem "mais e mais".

O FMI apresentou seu relatório sobre a economia americana no contexto do Artigo IV da organização, e em suas conclusões alertou sobre a adoção unilateral de tarifas por parte de Washington, que pode ter consequências desastrosas para o comércio mundial.

O governo do presidente Donald Trump decidiu revisar as relações comerciais dos Estados Unidos.

Como parte dessa nova política, impôs pesadas tarifas às importações de aço e alumínio, inclusive do México e do Canadá, dois aliados do Acordo de Livre-Comércio da América do Norte (Nafta, na sigla em inglês).

De acordo com o FMI, a adoção de restrições comerciais "pode ter consequências negativas para a economia dos Estados Unidos e seus associados".

Por isso, a entidade fez um pedido para os países "resolverem suas discordâncias comerciais sem recorrer às tarifas aduaneiras e outras barreiras".

A disputa pode "criar um ciclo de represálias", alerta o Fundo, levando aos países para justificaram as restrições às importações em nome da segurança nacional, "afetando o fornecimento de transnacionais americanas e países emergentes mais vulneráveis"

A diretora-geral do FMI, Christine Lagarde, alertou que uma guerra comercial "não tem vencedores, mas perdedores dos dois lados".

- Rápido aumento dos juros -

No plano interno, os cortes de impostos que estimulam uma economia que já está no máximo de seu potencial indicam "uma inflação mais rápida que o previsto", alerta o FMI.

"Isso poderia forçar o Federal Reserve a acelerar (seu ritmo de aumento das taxas de juros) e provocar volatilidade e turbulências" nos mercados financeiros.

O Fed acaba de elevar seus juros pela segunda vez no ano a prevê voltar a fazê-lo pelo menos outros duas vezes.

Sua previsão de inflação de 2,1% em 2018, com base no índice PCE, é inferior à do FMI, que antecipa 2,8%.

O FMI também teme que a atual política econômica americana tenha "repercussões importantes sobre as empresas, os lares e o endividamento de outros países", especialmente os que têm grandes dívidas em dólares.

"Isso poderia precipitar uma revisão líquida dos fluxos de capitais", fortalecendo o dólar, alerta a instituição.

Washington reagiu imediatamente, expressando suas divergências com o Fundo sobre as perspectivas a médio prazo da maior economia do mundo.

"Embora apreciemos o trabalho do FMI e tenhamos as mesmas projeções a curto prazo sobre o crescimento da economia, discordamos sobre suas projeções a médio e longo prazo", escreveu o Tesouro em nota.

"O Departamento do Tesouro está convencido de que nossas políticas, inclusive a reforma fiscal e a desregulamentação que busca impulsionar a produtividade, gerarão mais crescimento durável", afirma o governo Trump, que projeta um crescimento durável superior a 3%.

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