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Estado de Minas

Mike Pompeo, homem de confiança de Trump para a cúpula com Kim


postado em 11/06/2018 09:30

Duas expressões no rosto de Mike Pompeo resumem a importância que assumiu nas negociações com a Coreia do Norte - e, portanto, na administração de Donald Trump, cujo novo secretário de Estado se estabeleceu rapidamente como um dos principais tenores.

Em 24 de maio, leu, consternado, perante uma comissão parlamentar, a carta que o presidente dos Estados Unidos enviara ao líder norte-coreano Kim Jong Un para cancelar a cúpula em que o chefe da diplomacia americana estava na linha de frente há semanas.

Oito dias depois, em 1 de junho, largo sorriso para acompanhar seu alter ego norte-coreano Kim Yong Chol em sua visita à Casa Branca, e ouvir Donald Trump anunciar que o histórico encontro de 12 de junho em Singapura finalmente ocorreria.

Enquanto isso, o ex-legislador do Kansas, de 54 anos, trabalhava para juntar as peças, conduzindo dois dias de negociações em Nova York com o braço direito de Kim Jong Un.

"Pompeo está se dedicando muito para garantir que a cúpula aconteça, mesmo que a forma pareça prevalecer por enquanto sobre o conteúdo", estima Mark Fitzpatrick, do Instituto Internacional de Estudos Estratégicos. "Logo veremos se esta estratégia está dando frutos", disse ele à AFP, expressando dúvidas sobre a "direção geoestratégica" do secretário.

Político experiente, sabe a importância das imagens e da comunicação, ao contrário de seu antecessor demitido em março, Rex Tillerson, que fugia das câmeras e avarento em declarações de efeito.

Após os encontro com Kim Yong Chol em um apartamento no 39º andar de um edifício de Manhattan, Mike Pompeo divulgou fotos em que aparece mostrando ao norte-coreano, que parece pequeno ao lado do americano, o skyline de Nova York. "Incluindo a Freedom Tower", tuitou sua porta-voz Heather Nauert. Algo carregado de simbolismo, uma vez que o regime recluso é acusado por Washington de ser inimigo da liberdade.

- Duas visitas a Pyongyang -

O secretário de Estado visitou Pyongyang duas vezes nesta primavera (hemisfério Norte) - a primeira como diretor da CIA. Ele foi o líder americano mais graduado a encontrar Kim Jong Un, antes da cúpula com Donald Trump.

É ele que, pelo menos em parte, detém a chave para a questão crucial da cúpula: Coreia do Norte está realmente disposta a desistir de suas armas nucleares de maneira "completa, verificável e irreversível"?

Sua presença em Singapura ao lado do bilionário republicano, que a imprensa americana e a oposição democrata dizem estar pouco preparado sobre os méritos do dossiê, tranquiliza a classe política.

"Tenho muito mais confiança na preparação de Mike Pompeo para este encontro do que na preparação de Donald Trump para qualquer reunião", disse à AFP o democrata Mark Warner, vice-presidente do Comitê de Inteligência do Senado.

O senador republicano Ron Johnson também aponta que ele "ganhou a confiança do presidente, o que é importante para liderar as negociações".

De fato, Mike Pompeo exibe abertamente seu bom entendimento com Donald Trump, enquanto com Rex Tillerson as divergências com o presidente eram notórias.

E na preparação da cúpula, o secretário de Estado, um falcão que flertava até pouco tempo com a tentação de uma mudança de regime em Pyongyang, conseguiu se transformar em diplomata e superar o conselheiro presidencial para a Segurança Nacional John Bolton, que é detestado pela Coreia do Norte.

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