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Estado de Minas

Irã suspende debates sobre adesão à convenção da ONU contra o terrorismo


postado em 10/06/2018 10:42

O Parlamento iraniano suspendeu por dois meses os debates sobre a adesão do Irã à Convenção das Nações Unidas para a Repressão do Financiamento do Terrorismo, em plena incerteza sobre o futuro do acordo internacional sobre seu programa nuclear.

Foram 138 votos "a favor" e 103 "contra" (mais seis abstenções) pela suspensão dos debates sobre esta convenção internacional, informou a agência de notícias iraniana Isna.

Discussões acaloradas dividem os parlamentares sobre essa adesão, que exige a adoção prévia, pelo Irã, de numerosas leis contra o financiamento do terrorismo e a lavagem de dinheiro.

Os deputados conservadores afirmam que as novas leis - discutidas desde o ano passado - vão impedir o apoio iraniano ao Hezbollah libanês e ao Hamas palestino, cujos armados são classificados de "terroristas" pelos Estados Unidos e União Europeia (UE).

Esses conservadores afirmam que essas novas leis também devem resultar na condenação de membros da Guarda Revolucionária, o exército de elite do regime, classificado por Washington como "terrorista". Entre eles está o chefe das operações externas da força, Qassem Soleimani.

Eles apresentaram neste domingo petições exigindo que o Irã não faça parte desta Convenção.

"Por que atender aos pedidos feitos por nossos inimigos?", questionou Hosseini Naghavi-Hosseini, porta-voz da Comissão de Segurança Nacional e Relações Exteriores.

O vice-ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, defendeu por sua vez a adesão do Irã, dizendo que é do interesse do país.

"Este Parlamento foi vítima do Daesh (sigla em árabe para o grupo jihadista Estado Islâmico) no ano passado. Sem cooperação internacional, sem adesão às convenções internacionais, será impossível lidar com esses grupos", justificou.

"Em nosso país, há lacunas e fraquezas nas redes bancárias que, infelizmente, facilitam as ações de grupos terroristas e do narcotráfico", acrescentou.

O EI realizou um duplo ataque há um ano contra o Parlamento iraniano e contra o túmulo do fundador da República Islâmica, o aiatolá Ruhollah Khomeini, matando 17 pessoas.

País predominantemente xiita, o Irã é considerado como um inimigo por grupos jihadistas sunitas como a Al-Qaeda e o EI.

Mas com a retirada dos Estados Unidos no mês passado do acordo nuclear e a reimposição de sanções econômicas por parte de Washington, muitos parlamentares iranianos dizem que é irrelevante participar da Convenção sobre a Repressão ao Financiamento do Terrorismo.

As outras potências signatárias do acordo nuclear - Grã-Bretanha, França, Alemanha, China e Rússia - estão tentando salvar esse texto, que segundo eles limita o programa nuclear iraniano.

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