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Estado de Minas

Diante de um G7 dividido, China e Rússia exibem unidade


postado em 10/06/2018 09:18

Os presidentes russo e chinês, Vladimir Putin e Xi Jinping, exibiram neste domingo (10) a sua unidade e elogiaram a expansão de seu bloco asiático, a Organização de Cooperação de Xangai (OCX), em comparação a um G7 minado por divisões.

Na cúpula da OCX, realizada durante dois dias na cidade portuária de Qingdao (leste da China), Xi Jinping deu "boas-vindas" a dois recém-chegados, a Índia e o Paquistão, neste bloco criado em 2001.

A OCX visa aumentar a cooperação econômica e de segurança entre seus membros e inclui quatro ex-repúblicas soviéticas da Ásia Central (Uzbequistão, Cazaquistão, Tajiquistão, Quirguistão).

O presidente iraniano Hassan Rohani, cujo país é um observador na OCX, também esteve presente para obter o apoio de Pequim e Moscou ao acordo sobre seu programa nuclear, em perigo depois da saída de Washington.

Com a integração da Índia e do Paquistão, a OCX "está ainda mais forte", comemorou Putin.

Por sua vez, o líder chinês considerou que "a cooperação" é mais do que nunca necessária, "quando o unilateralismo, o protecionismo e as reações contrárias à globalização assumem novas formas".

"Devemos rejeitar a mentalidade da Guerra Fria e da confrontação entre blocos, e opor-nos à busca desenfreada de segurança para si mesmo à custa dos outros", afirmou Xi Jinping, sem nomear diretamente os Estados Unidos.

As regras da Organização Mundial do Comércio (OMC) e o sistema multilateral devem ser respeitados, disse Xi Jinping, cujo país mantém difíceis negociações com os Estados Unidos, a fim de evitar uma guerra comercial.

A demonstração de unidade da OCX pretende ser o espelho invertido das divisões que minaram o G7, sabotado após seu encerramento pelo presidente dos Estados Unidos, que retirou seu apoio ao comunicado final, apesar de tê-lo previamente endossado.

Putin criticou ironicamente a "tagarelice criativa" dos países do G7 (Estados Unidos, Canadá, Japão, Alemanha, França, Grã-Bretanha e Itália), enquanto pediu uma "cooperação real".

No entanto, existem divisões dentro da OCX, embora sejam silenciadas. Por exemplo, a Índia está preocupada com os projetos chineses de infraestrutura no território de seu rival, o Paquistão, e continua a manter uma disputa territorial com Pequim no Himalaia.

- Créditos milionários -

Em Qingdao, Xi Jinping anunciou que a China vai abrir uma linha de crédito de 30 bilhões de yuans (4,7 bilhões de euros) para os membros da OCX através de um consórcio bancário.

Como a Rússia, a China também quer propor uma associação econômica aos demais membros, em um contexto de forte crescimento do comércio e investimentos entre eles.

Na presença de Hassan Rohani, cujo país espera aderir à OCX, Putin disse que seu país mantinha seu apoio ao acordo nuclear de 2015, que impede Teerã de obter a arma nuclear em troca do levantamento das sanções internacionais contra o país.

A retirada dos Estados Unidos do acordo "pode desestabilizar ainda mais a situação", considerou Putin, que é favorável à "aplicação incondicional" do texto.

Já a China, grande consumidora do petróleo iraniano, apelou para a proteção do acordo, apesar da retirada dos Estados Unidos.

"Os esforços dos Estados Unidos para impor sua política aos outros representam um perigo crescente", disse o presidente iraniano.

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