Publicidade

Estado de Minas

Ex-presidente Ricardo Martinelli será extraditado ao Panamá por espionagem


postado em 08/06/2018 17:24

O ex-presidente panamenho Ricardo Martinelli será extraditado de Miami para responder a acusações de espionagem em seu país, segundo decidiu nesta sexta-feira (8) o Departamento de Estado americano e confirmado pelo governo panamenho.

"O vice-secretário de Estado (John J. Sullivan) decidiu autorizar a entrega de Martinelli ao Panamá sob as quatro acusações pelas quais foi pedido em extradição", dizia uma carta enviada pelo Departamento de Estado à advogada Inna Shapovalov e obtida pela AFP.

Nela, o departamento rechaça os argumentos que foram apresentados pela equipe de Martinelli para evitar a sua extradição, em particular os relativos ao suposto risco de ser torturado se for devolvido ao seu país.

O porta-voz de Martinelli, Luis Eduardo Camacho, disse à AFP que o retorno será "bastante rápido", nos próximos dias, embora não se saiba a data por enquanto.

"Obrigada a todas as pessoas por suas demonstrações de carinho e desejos de me acompanhar na recepção de nosso líder", tuitou Marta de Martinelli, esposa do ex-presidente, pedindo a seus seguidores que recebam seu marido com uma vestimenta branca.

Martinelli, de 66 anos, era solicitado pela Justiça panamenha sob acusações de desviar fundos para criar uma rede de espionagem que alcançou 150 pessoas durante o seu mandato (2009-2014), incluindo jornalistas e políticos.

Não obstante, a Justiça panamenha o investiga por mais de 20 outros casos de corrupção, mas nenhum deles está ligado ao pedido de extradição.

Sob o tratado de extradição entre os países, que entrou em vigor em 1905, o ex-presidente somente pode ser processado em seu país pelos crimes pelos quais foi solicitado em extradição.

No Panamá, o presidente Juan Carlos Varela confirmou que recebeu o aviso de entrega e assegurou que "tudo será manejado com base nos processos, nas leis e na Constituição do país".

Martinelli foi detido em 12 de junho do ano passado e esteve preso em Miami desde então.

Esgotados os recursos legais, aos quais renunciou no mês passado, sua extradição estava nas mãos do Executivo americano.

Martinelli afirma que seu pedido de extradição é uma "vingança" política de seu ex-vice-presidente e atual presidente, que supostamente o teria "traído".

Em 15 de maio, os advogados de Martinelli haviam submetido um documento de 430 páginas ao Departamento de Estado, no qual pediam ao secretário Mike Pompeo "que usasse sua discrição para negar o pedido de extradição do Panamá porque é motivado politicamente".

Mas seus opositores no Panamá aplaudiram a decisão.

"Alguns acharam que por conta dos grandes favores que Martinelli fez aos Estados Unidos, eles teriam que agir de maneira recíproca e ajudá-lo", disse Mitchel Doens, ex-secretário-geral do Partido Revolucionário Democrático (centro) e um dos querelantes.

"Mas (...) não acreditávamos que os Estados Unidos fossem carregar um estigma de ter dado proteção a um criminoso do porte de Ricardo (Martinelli)", acrescentou à AFP.

O próprio Martinelli tornou pública uma carta na qual enumerava as ocasiões que fez "favores" aos Estados Unidos. "Quando a CIA me pediu que interceptasse um banco norte-coreano que estava deixando Cuba e cruzava o Canal do Panamá, eu não hesitei", escreveu.

De qualquer forma, o ex-presidente chega em um ano politicamente agitado frente as eleições gerais de maio do próximo ano.

Seu porta-voz, Camacho, Martinelli espera apresentar sua candidatura como prefeito ou deputado, já que não passaram os 10 anos necessários para voltar a se candidatar à Presidência.

O ex-presidente panamenho Ernesto Pérez Balladares (1994-1999) disse canal local TVN-2: "Sempre disse que tinha sido uma vergonha para o país ter um ex-presidente da República em uma prisão nos Estados Unidos. Devia ter ficado no Panamá".

No entanto, confiando no tratado de extradição de 1905, Martinelli tem assegurado que só será processado pela causa pela qual foi solicitado.

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação

Publicidade