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Estado de Minas

Temor nos EUA após confiscarem correspondência de jornalista


postado em 08/06/2018 17:00

As organizações de defesa dos meios de comunicação nos Estados Unidos expressaram sua preocupação nesta sexta-feira (8) pelos riscos para a liberdade de imprensa, após a Justiça confiscar a correspondência de uma jornalista no âmbito de uma investigação sobre vazamento de informação sensível.

O Departamento de Justiça anunciou na noite de quinta-feira um processo contra James Wolfe, ex-membro do Comitê de Inteligência do Senado, de 57 anos, acusado de mentir aos investigadores sobre seus contatos com três jornalistas.

Como parte da investigação, a Justiça confiscou a correspondência proveniente de duas contas de e-mail e do celular da jornalista Ali Watkins, do New York Times, assinalou o jornal.

Watkins teve um relacionamento amoroso com Wolfe por três anos, um fato que ele tinha negado aos investigadores do FBI em 2017.

A diretora do Comitê para a Proteção de Jornalistas, Alexandra Ellerbeck, considerou a medida contra Watkins "um precedente perigoso", porque os jornalistas devem proteger a confidencialidade de suas fontes.

"Tememos (que esta ação) seja um ponto de inflexão na atual batalha pela capacidade dos repórteres de proteger as suas fontes", indicou Ellerbeck em comunicado.

O Freedom Forum Institute, uma organização que defende os direitos da imprensa, estimou no Twitter que a apreensão de documentos é "uma violação das liberdades estabelecidas na Primeira Emenda" da Constituição.

Este caso provoca preocupações sobre as ameaças à liberdade de imprensa e a proteção de fontes, enquanto apresenta um problema de ética sobre as relações entre jornalista e fonte. Surge também quando o presidente Donald Trump adverte que membros de sua equipe realizam vazamentos à imprensa, tratando-os de "traidores".

"A liberdade de imprensa é o fundamento da democracia e pensamos que as comunicações entre jornalistas e suas fontes devem ser protegidas", ressaltou a porta-voz do New York Times Eileen Murphy.

A apreensão "colocará em perigo a capacidade dos jornalistas de prometer confidencialidade a suas fontes e, finalmente, a capacidade da imprensa livre revelar as ações do governo", acrescentou.

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