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Estado de Minas

FMI fará empréstimo de 50 bilhões de dólares para Argentina


postado em 07/06/2018 21:30

O Fundo Monetário Internacional (FMI) dará à Argentina um empréstimo de "stand by" de 50 bilhões de dólares com um prazo de três anos, anunciou nesta quinta-feira (7) o ministro da Fazenda, Nicolás Dujovne.

"Fomos ao FMI para evitar uma crise", disse o ministro em coletiva de imprensa em Buenos Aires. O entendimento contempla uma meta de déficit fiscal primário (antes do pagamento da dívida) de 2,7% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2018, frente aos 3,2% previstos no orçamento.

"Para reduzir a inflação, o plano reforça o esquema de metas com taxa de câmbio flutuante e fortalecimento da autonomia do Banco Central. As metas de inflação são de 17% para 2019, 13% para 2020 e 9% para 2021", afirmou o ministro e coordenador para o ajuste econômico nomeado pelo presidente Mauricio Macri.

"Haverá um desembolso imediato por 15 bilhões de dólares", informou Dujovne.

A Argentina sofreu desde o final de março uma crise de confiança que a levou a perder mais de 10 bilhões de dólares de reservas do Banco Central, que baixaram para 49 bilhões de dólares, e uma depreciação do peso de 20% acumulada. O país pediu ajuda do FMI por uma severa necessidade de divisas.

"Vamos a reforçar a autonomia do Banco Central", disse seu governador, Federico Sturzenegger, que liderou a conferência junto ao ministro da Fazenda.

Dujovne e Sturzenegger admitiram que o novo programa contempla que o Banco Central "não financiará mais déficits do Estado". "Trata-se de eliminar esta fonte de emissão monetária", disse o governador.

A meta de inflação em Argentina era de 15% anual em 2018, mas já acumulada quase 10% até abril. "Vamos ter um aumento da inflação", reconheceu Dujovne.

A inflação em 2017 foi de 25%, mas o Levantamento de Expectativas de Mercado do Banco Central revelou nesta semana que se estima para este ano um custo de vida no varejo de 27%.

A dívida pública na Argentina passou a representar 42% do PIB em 2015, quando Macri assumiu, e 53% no começo desse ano.

Outro compromisso com FMI para receber o stand by foi o de neutralizar alguns instrumentos da dívida chamados Lebacs do Banco Central. Esses papéis têm um peso excessivo para a entidade e vira um fator de tensão quando os investidores se livram deles para comprar dólares, como aconteceu na corrida cambiária desde o final de março.

A economia argentina cresceu 2,8% em 2017, mas começou a desacelerar o crescimento após a desvalorização deste ano. Também foi acordado com o FMI uma redução do déficit fiscal até que se alcance o equilíbrio orçamentário em 2020.

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