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Estado de Minas

Opositores bloqueiam rodovias para pressionar governo nicaraguense


postado em 06/06/2018 22:00

A oposição nicaraguense aumentou nesta quarta-feira (6) a pressão contra o governo de Daniel Ortega com barricadas nas ruas das cidades e o bloqueio em várias estradas, após mais de um mês e meio de violentos protestos que deixaram mais de 120 mortos.

Os opositores asseguram que a maioria das vias do país estão bloqueadas, principalmente ao sul da capital, com o propósito de proteger a cidade de Masaya, que foi alvo de saques, incêndios e ataques de policiais e tropas de choque desde que os protestos começaram, em abril.

"A ideia é aumentar os bloqueios para defender Masaya, que se tornou um alvo da ditadura", disse à AFP a ex-líder guerrilheira e dissidente do sandinismo governista Mónica Baltodano.

Em alguns pontos, os bloqueios se realizam de forma intermitente e em outros são totais, embora os manifestantes tenham deixado passar mulheres grávidas, idosos, crianças e ambulâncias, segundo a imprensa local.

As barreiras também visam a dificultar a passagem para a cidade turística de Granada, um centro histórico, onde na terça-feira foram registrados confrontos que deixaram pelo menos um morto, saques e novos incêndios.

"Estamos tristes com os acontecimentos de ontem (terça) na histórica cidade de Granada, patrimônio cultural da Nicarágua, que foi devastada, foi incendiada como nos tempos de (o aventureiro americano) William Walker" no século XIX, expressou a vice-presidente e porta-voz oficial, Rosario Murillo.

Segundo o governo, os incêndios afetaram não só os prédios públicos e casas do partido governista, mas também vários estabelecimentos comerciais.

"Pode ser que estejamos perdendo a segurança porque vivemos o flagelo da delinquência, do crime organizado que castigou nosso país", acrescentou Murillo.

- Ortega se reunirá com bispos -

O presidente Daniel Ortega, alvo da onda de protestos, aceitou se reunir - nesta quinta-feira - com os bispos da Conferência Episcopal para analisar a possibilidade de retomar o diálogo com a oposição.

A reunião, proposta pelos bispos, "foi aceita pelo presidente e será amanhã, 7 de junho, às três das tarde na Casa dos Povos", centro de convenções do governo em Manágua, anunciou a Conferência Episcopal.

Os protestos são liderados por jovens que defendem suas cidades com pedras, morteiros caseiros e são repelidos a tiros pelas forças antimotins e grupos de choque do governo.

"Nossa única arma é essa, o morteiro (...) O objetivo é tentarmos continuar nos defendendo até que isto acabe", disse à AFP Álvaro Torres, um mecânico que passou a tarde fabricando lança-morteiros caseiros com três vizinhos para defender seu quarteirão em Masaya, 30 km ao sul da capital.

"É injusto o que [o presidente] Daniel Ortega está fazendo (...) Está matando seu próprio povo", condenou Zeneyda del Rosario Cuesta, mãe de um adolescente de 17 anos, que foi assassinado no domingo, atingido por uma rajada de tiros que a família afirma ter sido disparada de um posto policial.

"Não quero que nenhuma mãe mais perca deu filho (como eu) porque dói, dói no fundo do coração", disse a mulher, angustiada.

Nesta quarta, um adolescente foi ferido a tiro no combativo bairro Monimbó de Masaya.

"Só temos atiradeiras e morteiros para nos defender", disse um jovem, irritado.

O partido opositor Cidadãos pela Liberdade (CxL), por sua vez, denunciou que grupos sandinistas destruíram e atearam fogo à prefeitura do Cuá, no departamento (estado) de Jinotega (norte).

Na terça, a Assembleia Geral da Organização de Estados Americanos (OEA) aprovou uma declaração "em apoio ao povo da Nicarágua", na qual exorta o governo de Ortega e todos os membros da sociedade a dialogar de forma construtiva para abordar a crise e deter a violência.

Os bispos da Conferência Episcopal anunciaram em 31 de maio que não vão retomar o diálogo no qual atuavam como mediadores enquanto o governo não cessar a repressão.

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